segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Cárceres













Rasgam cinzas os insanos perdidos nas ruas
Queimam pétalas nos olhos dos faunos

Vieram pelas moedas de ouro
Trouxeram lagos de areia como dádivas para o mal


Tergiversam os pobres nos murais e porões
Sombras dos muros apodrecem em nome das leis

As lanças apontadas para a vida dos incautos
Os cães sem nome bebendo a água com sal e vísceras

Os círios transformam escadas de ferro em prata

Impérios sob os canais de sangue inventam naus aladas
                                                Pedras entalhadas no céu
Valas e calhas desfiguram a carne dos culpados sem rito

Nobres e falsos celestiais nas marquises dos templos

Cárceres úmidos desaparecendo na poeira dos corpos desnudados
As formas justas das injustas formas das imagens dos vidros encarnados


Edemir Fernandes Bagon





segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O dia do perdão


Foram dias esperando chegar a notícia do retorno de Santiago. Deu tempo para esquecer todas aquelas palavras que ambos disseram naquela noite. Por insistência de sua mãe, Pedro quis perdoar seu irmão. Fosse talvez mais jovem, não aceitaria refazer o destino.

O certo mesmo era que, em menos de trinta dias, Pedro haveria de partir.  A hora era incerta. O pâncreas lutava contra seu signo. O sol nascia com as dores em seu corpo. Os olhos desertavam. Ele sabia... e a mãe sentia suas mãos com serenidade.

Santiago havia telefonado em dois momentos antes de sua chegada. Dona Lurdes respondia-lhe com brandura. Tinha numa das mãos uma foto dos filhos pequenos. Colocara, na estante, outros dois retratos nos quais os meninos estavam seguros nos braços do pai.

Tão logo ela desligara o aparelho, Pedro chamou por sua presença. Encostou nela seu mistério e, por fim, olhou-a com a alegria de quem pudesse ter de volta os melhores dias da infância.



Edemir Fernandes Bagon

Island

The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...