Amanhecer no Horizonte é um blog de poesias, microcontos, artigos e reflexões escrito por Edemir Fernandes Bagon, onde o cotidiano, a memória e os afetos ganham voz em textos intensos e humanos.
sexta-feira, 30 de dezembro de 2016
segunda-feira, 26 de dezembro de 2016
Cárceres
Rasgam cinzas os insanos perdidos nas ruas
Queimam pétalas nos olhos dos faunos
Vieram pelas moedas de ouro
Trouxeram lagos de areia como dádivas para o mal
Tergiversam os pobres nos murais e porões
Sombras dos muros apodrecem em nome das leis
As lanças apontadas para a vida dos incautos
Os cães sem nome bebendo a água com sal e vísceras
Os círios transformam escadas de ferro em prata
Impérios sob os canais de sangue inventam naus aladas
Pedras entalhadas no céu
Valas e calhas desfiguram a carne dos culpados sem
rito
Nobres e falsos celestiais nas marquises dos templos
Cárceres úmidos desaparecendo na poeira dos corpos desnudados
As formas justas das injustas formas das imagens dos vidros
encarnados
Edemir Fernandes Bagon
segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
O dia do perdão
Foram
dias esperando chegar a notícia do retorno de Santiago. Deu tempo para esquecer
todas aquelas palavras que ambos disseram naquela noite. Por insistência de sua
mãe, Pedro quis perdoar seu irmão. Fosse talvez mais jovem, não aceitaria
refazer o destino.
O
certo mesmo era que, em menos de trinta dias, Pedro haveria de partir. A hora era incerta. O pâncreas lutava contra
seu signo. O sol nascia com as dores em seu corpo. Os olhos desertavam. Ele
sabia... e a mãe sentia suas mãos com serenidade.
Santiago
havia telefonado em dois momentos antes de sua chegada. Dona Lurdes
respondia-lhe com brandura. Tinha numa das mãos uma foto dos filhos pequenos.
Colocara, na estante, outros dois retratos nos quais os meninos estavam seguros
nos braços do pai.
Tão
logo ela desligara o aparelho, Pedro chamou por sua presença. Encostou nela seu
mistério e, por fim, olhou-a com a alegria de quem pudesse ter de volta os
melhores dias da infância.
Edemir Fernandes Bagon
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