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Destino

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Dois minutos apenas. Foi esse o tempo inventado pelo homem que trazia nas mãos a sua loucura.  Os policiais perguntaram a ele de que maneira havia cometido aquele crime.  Silenciava a dor nascida de sua monstruosidade com as mentiras contadas pelos seus olhos.  No chão, misturada com a água do esgoto, o sangue ainda insistia em sair do corpo daquela mulher. 
- Quando dei por mim, ela estava jogada aí! Não havia nenhum sentido para continuarmos juntos. Decidi o destino do meu jeito.

Edemir Fernandes Bagon


Vou Te Encontrar

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Olha, ainda estou aqui Perto, nunca te esqueci Forte, com a cabeça no lugar Livre, livre para amar Sofro, como qualquer um Rio, quando estou feliz Homem, dessa mulher Vivo, como você quer Nas ondas do mar Nas pedras do rio Nos raios de sol Nas noites de frio No céu, no horizonte No inverno, verão Nas estrelas que formam Uma constelação Vou te encontrar Vou te encontrar Olha, eu fiquei aqui Perto, está você em mim Forte, pra continuar Livre, livre para amar Sofro, como qualquer um Rio, porque sou feliz Homem, de uma mulher Vivo, como você quer No beijo da moça No alto e no chão Nos dentes da boca Nos dedos da mão No brilho dos olhos Na luz da visão No peito dos homens No meu coração Vou te encontrar Vou te encontrar

(Nando Reis)

Nana Caymmi - Quem Inventou o Amor - 2007 - Álbum Completo

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Não encontrava nenhuma forma para falar tudo aquilo que sentia de verdade. Daí, olhando para o céu, estendeu sua mão para uma nuvem e desejou alcançá-la. Olhou de um lado para o outro, não vendo ninguém que o observasse, prostrou-se. De repente, soltou um grito ensurdecedor; pôs a mão na cintura onde guardava um 38 e atirou contra o medo de existir. 
Edemir Fernandes Bagon

Atrás da Porta

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Mar de Dentro

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[longe do silêncio o espírito tergiversa]

as letras  caem sobre o mundo
e as flores dos campos dançam diante dos anjos

[para que servem os sonhos dos cegos
se aqueles que vivem ainda descalços os renegam (?)]

ficaram de outrora
apenas encantos indivisíveis

[como alma escrita dentro do mar]



Edemir Fernandes Bagon
















Insólito

por que a gente espera tanto
o que não tem mais jeito de voltar ?



edemir fernandes bagon

Fernanda Takai e Erasmo Carlos

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Princípios

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Descia a viela escura, preocupada. Era preciso falar todos os verbos para ele. Do lado direito, um conhecido lhe acenara. À sua frente, perto de um poste de luz, um amontoado de sacos de lixo (esquecidos pelos garis no período da manhã). Entre os degraus irregulares construídos ali, via as fezes de cães e humanos. Segurou com as pontas dos dedos o nariz. Ergueu o olhar para o final da viela e se encheu de coragem para ir além. Sabia que iria encontrá-lo, sentado na calçada, e que seria aquele momento o fim de tudo.  Quando chegou no portão, chamou-o inúmeras vezes. Ninguém respondeu de dentro da casa. Estava vazia desde o princípio.  
Edemir Fernandes Bagon