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domingo, 5 de abril de 2026

Lacunas



nasceram flores nas encostas dos penhascos
e também nos porões
dos barcos


seres alados acenderam tochas e dançaram com os ventos 
do sul

as mulheres encantavam heróis
e criaram suas raízes dentro do mundo sombrio

haveria um só deus capaz de revelar a farsa, 
um só instante de paz 


existiriam espíritos, almas e intelectos
escrevendo verdades diante da vida

e isto bastaria

bem mais do que o afeto,
bem mais que a liberdade

há pontos distantes de tudo o que eu acredito, 
mas já nem sei se ainda acredito

poderia considerar
a natureza das coisas 
e, por assim dizer, 
evidenciar o desespero de ser um vencido

quais seriam os propósitos das flores nascidas 
naquelas encostas e porões 
que jamais verei com os meus olhos

e, certamente, quais seriam os propósitos daqueles sonhos que me entregraram à vida


Edemir Fernandes Bagon



quinta-feira, 16 de março de 2023

Releituras


[...]

Trazia no silêncio dos olhos o diálogo escrito pelo desejo. Refazia seus estranhos caminhos por entre as cores transtornadas pela loucura da alma. 

Deixava perto das mãos um pincel de cravos e rosas para delinear, em suas veias, cavernas mitológicas. Reconquistava seu reino e toda a armada inglória de sombras e folhas de outono. 

Um deus de prata era colocado em xeque no tabuleiro de homens despidos. Monstros de lodo e suas musas de barro aniquilados por incautos domadores de demônios - os primeiros a encontrar o tecido que envolvia as entranhas de Perséfone.

 

Turvidez

Tocaste meu calcanhar como um cão dentro do espelho. Tua casa, de vermelho, em sete cantos, me ouvia. Teu palavreado, como nuvens encantadas...