segunda-feira, 11 de abril de 2011

A Casa Materna

do outro lado da rua
olhei com ternura a casa da minha mãe


e  me vi menino ainda

pensei  que fosse  sentir com muito mais intensidade
estranho é que não

[de resto a vida seguiu em frente]

tanto o tempo quanto o esquecimento 
me desenharam o corpo
me reordenaram o espírito

mesmo que se queira
mesmo que seja recriado o tempo
mesmo que se inunde de pecado
mesmo...

olhei ainda com ternura
para tentar amar verdadeiramente
         compreender a mim mesmo
         entender minhas ausências na vida inteira
para deixar de ser  um órfão da hipocrisia

para não fugir daquilo que sou

olhei com ternura a casa materna para viver

para reviver
para renascer
para reconhecer o amor

edemir fernandes bagon