segunda-feira, 2 de maio de 2011

Ser


sabe aquela saudade que a gente sente  e fica sem ter para onde ir com a alma
e, por esse motivo, caminha sem direção ou intenção de chegar a nenhum lugar

sabe aquela saudade de um momento que a gente pensava  que não iria acabar nunca


o primeiro dia na escola
o medo da professora Maria
o medo de andar sozinho na rua pra voltar pra casa

dos amigos estranhos da sala de aula
daqueles que a gente sequer hoje se recorda do nome
mas que os traços dos rostos ficaram assim na memória 
como uma fotografia bem antiga guardada 

(daquelas nas quais ficam alguns sentados e outros em pé ou aquelas em que a gente aparece com um sorrisinho torto de braços cruzados sobre uma mesinha com uma bandeirinha do Brasil ao fundo e uma corujinha de óculos segurando um livro)

sabe aquela saudade que a gente sente quando ainda vê do circular uma paixão da adolescência andando pela rua...

sabe aquela saudade do primeiro encontro
                                     da primeira viagem pelos cantos da estação
                                     da primeira vez que se viu sozinho e livre
                                     do primeiro tempo em que os sonhos faziam
                                     sentido
                                     das conversas demoradas na porta de casa
                                     da mãe gritando o nome da gente na rua

sabe dessa saudade que não acaba nunca?


edemir fernandes bagon