terça-feira, 14 de maio de 2013

Mar e travessia

                            Pois aquilo que é ilimitado em vós habita a mansão  do céu, cuja porta é orvalho da     manhã,  e cujas janelas são as canções e o silêncio da noite.  
(Khalil Gibran)


em todo o tempo
encontro a vida
(ainda que as formas sejam puramente lembranças)

em todo o tempo
a vida me encontra
(ainda que meramente ao acaso
para me ver livre do passado)

em todo o tempo
o eu se disfarça para simplesmente continuar amando
(porque não há descanso para espíritos inquietos)

em todo o tempo a saudade inventa
monólogos e diálogos por entre os instantes
como se nada existisse
como se os álbuns de fotografia fossem feitos com vida de verdade

por alguma razão o tempo não passa para os que sonham
por alguma razão ficam as árvores no lugar dos museus
por alguma razão o destino não fala como as mãos e os olhos
por alguma razão a solitude se transforma em alegria

não compreendo a vida, mas posso senti-la.

edemir fernandes bagon