domingo, 9 de junho de 2013

Órion




Caberia ao Tempo seguir pelas ruas esperando por Deus

Talvez seja necessário desistir de algumas cores encontradas nos sonhos

O que sentir para não ser esquecido?
O que dizer para ser aceito?

Como ser uma estátua-símbolo do não-ser?

Interpretando papéis secundários num mundo de estranhos protagonistas?
Confiando na maldade do próximo?
Atribuindo a si mesmo uma grandiosidade fingida?
Falando do paraíso sem acreditar em nada?

Seria fácil fechar os olhos diante daqueles que dormem em velhos casarões postiços
Fácil esquecer dos que não compreendem com clareza
E duvidar dos egoístas suicidas

O Tempo, esperando por Deus, vocifera (com uma harpa nas mãos):
                                             O céu insiste em descansar sobre o mal.


Edemir Fernandes Bagon