quarta-feira, 19 de março de 2014

Morro da Congonha



considere que a vida não seja um encontro mitológico do mar e da terra diante do olhos
que nem mesmo o amor tenha sido o princípio de discursos apostólicos
nem banquetes pagãos

caminhos estreitos da alma guardam flores esperando por frutos
destinos trilhos e montanhas sob pés humanos e corpos alados

para que nos servem as mãos se aquilo que carregamos são valores invisíveis
logotipos pintados nos céus em forma de armas
placas de igrejas declaradas em formulários da fazenda

sejam faustos ou poetas ou doutores
desígnios versos e títulos
mortes esculpidas na areia
caminhantes nus arrastados no asfalto

retirem os símbolos que dão ao ser
o que nos resta ainda senão os sonhos desfeitos
o que nos resta ainda senão contar os dias passados

o que nos resta ainda? aceitar? lutar? contra quem?


Edemir Fernandes Bagon