domingo, 11 de maio de 2014

Mistério

Mãe, não sei como seguir em frente.
A vida parece mais difícil agora.
Quando mais precisei, alguns poucos estenderam-me a mão.
Estou assim sem rumo - feito mar encontrando uma rocha imensa que não se move.
O que desmentir?
O que perdoar?
 O que procurar?
À noite,  perco-me nas lembranças. Sem o céu, o que fazer com a lua e as estrelas?
No entanto,  não estou disposto a regressar.
Não quero mais  sentir-me menor.
Tenho vergonha do que fizeram comigo.
Tenho medo da minha imagem no espelho.
Difícil desvendar o mistério de viver.
Creio estar fora do alcance do espírito (que não dorme).
A desumana arte da hipocrisia sempre como uma espécie de  luz que desaparece no encantamento do silêncio.
Esse mesmo silêncio sobre as pedras das ruas junto às igrejas e dos homens vazios nos seus cantos.
Fantoches.
Não há espaço para o tempo.

Mãe, um dia ... se puder,   venha  abraçar-me para eu sentir a Verdade outra vez.


Edemir Fernandes Bagon