quinta-feira, 1 de maio de 2014

Sobre o preconceito racial


Considerar o preconceito racial, a intolerância étnica e o racismo como práticas inaceitáveis, a meu ver, é tarefa natural dos homens justos. Não obstante, a sociedade humana apresenta alguns modelos de vida social em que o caráter grotesco de suas relações passa a ser aceito sem que a razão estabeleça critérios distintos e claros. Isso, a meu ver, é resultado das relações de poder instituídas ao longo da história da humanidade. Logo, em virtude da ausência dos critérios racionais, a sociedade humana produziu, infelizmente, a escravidão e o holocausto.

Nesse sentido, não enxergar o problema histórico do aviltamento humano constituiu-se em práticas comuns na vida em sociedade, pois, reconhecidamente, o homem não possui outro recurso senão o da crítica da própria razão para encontrar o princípio da igualdade. E, por conseguinte, dele fazer o fundamento de sua existência. Ficar a favor, ou não, de uma "campanha" é resultado de profunda reflexão acerca daquilo que é Justo. Para mim, quando a Razão demonstra a ausência de justiça, penso ser necessário o engajamento.

Claro que alguns dirão ser a mobilização um equívoco, afinal "um jogador de futebol recebe milhões por ano" e, portanto, numa sociedade dividida em classes, "estaria acima do bem e do mal". Outros dirão que se trata apenas de um comportamento inadequado de uma "torcida inflamada", porém, "cultural" (ver o caso Tinga). Ainda assim, o que está em jogo é a luta pela igualdade e pelo respeito à existência humana. 


Talvez, dessa maneira, compartilhando discursos contrários em redes sociais, numa conversa entre amigos ou em sala de aula - o racismo, o preconceito, a intolerância possam ser banidos não apenas do futebol, mas também, das delegacias de polícia, das penitenciárias, das escolas, das empresas e, quem sabe um dia, da vida humana.




Edemir Fernandes Bagon