segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Reinados

Escolham o destino dos ritos

Atirem as folhas no chão imperfeito

Vistam o abismo sagrado inventado pela ambição

Corpos em cópula esguicham espinhos no céu


Desumano orgulho dos déspotas travestidos de deus

 Estrelas descansam no mundo com heróis forjados no inferno

 Defendam a morte dos sonhos porque as águas não limpam o calvário

Recomecem a farsa dos anjos azuis


Cortem a pele dos monstros criados por leis

Venham com um presente escondido por dentro dos cavalos de madeira


Olhos de Judas, mãos de Pilatos´

Pés lavados no escuro


Mar e reinado entre as cabeças cortadas 

Pedras lançadas no mundo 

Poemas de Ló na loucura



Edemir Fernandes Bagon



segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Antídoto


somos pedintes durante a vida inteira
porque os olhos semeiam palavras em tudo

enfeitam com flores
os caminhos curvos

espreitam o instante sem saber contudo
que sentir é antídoto para não sofrer no mundo


Edemir Fernandes Bagon


quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Semântica


Seriam os passos dados por entre caminhos
Seriam as luzes vistas de longe
Seriam os segredos escritos
Seriam os deuses com flores
Seriam os mistérios e horrores

Seriam as canções sentidas
Seriam os outros perdidos
Seriam os gritos ouvidos
Seriam os princípios vendidos
Seriam as formas perfeitas

Seriam as almas e corpos
Seriam os pecados os trapos
Seriam os choros os laços
Seriam os desertos os olhos
Seriam disformes os sinceros

Seriam desejos os credos
Seriam menores os sonhos
Seriam tantos os espaços
Seriam grandes os temores
Seriam claros os espíritos

Se não fossem as dúvidas
Se não fossem as distâncias
Se não fossem as letras
Se não fossem as águas
Se não fossem os montes

Se não fossem as notas
Se não fossem as horas
Se não fossem as formas
Se não fossem os lados
Se não fossem os falsos

Se não fossem os santos
Se não fossem as mãos
Se não fossem os instantes
Se não fossem as virtudes
Se não fossem os círculos


Teria a vida algum sentido?



Edemir Fernandes Bagon





(O terapeuta (1941) - René Magritte)

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Visionários










É uma pena que os olhos não veem o que a alma insiste sentir.






edemir fernandes bagon

Estado de sítio

Faça da loucura sua razão.
Cria uma guerra contra suas ideias fundamentadas em certezas. 
Cala o silêncio do instinto.

Edemir Fernandes Bagon


Diáspora

Encontro Deus
quando
tenho
medo

do mundo.



Edemir Fernandes Bagon

"O Grito", Edvard Munch, 1893.

Island

The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...