sábado, 13 de maio de 2017

Vestes


são as coisas perdidas  no tempo
os encantos das estátuas sob a chuva
os espaços escritos na memória

são os anúncios publicados nos becos
as inúmeras formas de existir no mundo sem forma

são os olhos dos pedintes nas ruas
são os gritos dos filhos do incesto
a pátria morta
a república dos senhores dos grandes empreendimentos

são os pastores cortados na carne e alimentados por demônios
são os criadores da miséria nos planaltos, nas planícies e desertos

são as mãos levantadas no calvário
os apostólicos personagens de uma grande farsa encenada por egos monstruosos



("A Torre de Babel", Van Valckenborgh - séc. XVI)

no alto do edifício babilônico
estendidas foram as vestes sujas daqueles que vociferam

Edemir Fernandes Bagon


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Ecos proustianos

Viu o tempo passar. Em busca do perdão perdido, prostrou-se diante do cisne. Edemir Fernandes Bagon