Descia a viela escura, preocupada. Era preciso falar todos os verbos para ele. Do lado direito, um conhecido lhe acenara. À sua frente, perto de um poste de luz, um amontoado de sacos de lixo (esquecidos pelos garis no período da manhã). Entre os degraus irregulares construídos ali, via as fezes de cães e humanos. Segurou com as pontas dos dedos o nariz. Ergueu o olhar para o final da viela e se encheu de coragem para ir além. Sabia que iria encontrá-lo, sentado na calçada, e que seria aquele momento o fim de tudo. Quando chegou no portão, chamou-o inúmeras vezes. Ninguém respondeu de dentro da casa. Estava vazia desde o princípio.
Amanhecer no Horizonte é um blog de poesias, microcontos, artigos e reflexões escrito por Edemir Fernandes Bagon, onde o cotidiano, a memória e os afetos ganham voz em textos intensos e humanos.
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