quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Resiliência LIII

Em pouco tempo Elisa descobriu quem era. Restava ainda buscar do outro lado do mundo a parte misteriosa de sua vida. Quase no final, sentou-se na calçada da Avenida Plutão e arriscou sentir um pouco de tudo que não via com bons olhos. 
Enxergou de longe as sombras do passado que ela  cuidava. Viu de perto seus próprios inimigos reais e inventados. Distanciou-se dos cínicos, mas continuou ali para esperar com resignação a vinda de seu maior amor. 
Vieram a chuva e o frio. Vieram as flores e o sol. Cresceram os frutos e as sementes que foram deixadas no chão. Os pássaros azuis chegaram e se alimentaram dos frutos e dos sonhos de Elisa. Assim, ela seguiu  em direção  ao oriente e acabou se deitando bem perto do céu.


Edemir Fernandes Bagon


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Ecos proustianos

Viu o tempo passar. Em busca do perdão perdido, prostrou-se diante do cisne. Edemir Fernandes Bagon