terça-feira, 11 de agosto de 2020

Geisha


Das retinas quisera apenas ter o vermelho do sol nascente. O arquétipo escorpiano delineado no corpo em transe. A porta entreaberta. O desejo de permanecer ali para sempre, de retirar o laço e desvendar a alma a partir dos cabelos que deslizavam num lápis. 

Um toque na luz da parede do céu. Um gemido dentro do silêncio abocanhado (como se fosse possível  ver o que havia no lado de fora da carne doce e macia). 

Tudo  vertido: a boca noutra boca molhada; os seios de uma geisha tocados num templo de Buda; o dorso claro como um espelho d'água (onde Narciso  não ouve, mas ecoa). 

Os sinais de pele emaranhados. O caminho das flores. As cadeiras de vime. O lago dos peixes. Os saltos pretos abertos no eclipse da cama. 

《Atravessa o destino, com a astúcia do tempo,  o que procura alma.》


Edemir Fernandes Bagon



Island

The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...