sábado, 31 de agosto de 2013

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Deontologia ou Da Filosofia Moral Contemporânea


Porque não se pode confiar em opiniões formadas
Nem mesmo naquele que se diz livre 
Nem mesmo naquele que se faz reto diante de um deus inventado em templos

Justa é a relativa condescendência do pecador 
E daquele que se proclama acima do nada porque não possui essência

A essência é a contradição natural das palavras sobre a vida

As histórias contidas no sarcasmo do velho solitário
Os silêncios narrados pelos porcos objetivados de colete 
Com a podridão de suas regras e seus números imorais


Ainda que me fossem os olhos a fonte de todo o mal
Não seriam tão nefastos quanto o ruído produzido pela boca junto ao ouvido enfermo e gélido do idiota

Desenhado o mundo nas costas do medo 
Não seria vantagem nenhuma desistir no meio


Edemir Fernandes Bagon

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Perspectivas

Me coloco no centro do meu mundo.
Ainda assim, seu espírito me sorri com amor. 
Me desfaço no tempo. 
Me sobra um pouco de esperança.


Edemir Fernandes Bagon

Tertúlia

A palavra é o vício da destruição. 
O silêncio, um museu de piedade.


Edemir Fernandes Bagon

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Donativos


Espera o tempo

Espera até a saudade virar fotografia
Caminha pelas ruas em sentido horário
Contempla a vida quando vier o outono
Reescreva a história na condição de sujeito
Compreenda a plenitude e a ausência

Desfaça os planos
Escreva nos muros poemas de amor
Separa o joio do trigo com justiça
Procura o ser  desabrigado do corpo
Esconda cinzas jogadas em cantos da casa
Inventa um mundo

Navega pelos mares da cor dos teus sonhos
Usa a palavra para encantar os olhos
Contempla a beleza do que julga ser
Aceita a perfeição daquilo que não é
Seja um verso em construção perene

Espera o tempo


Edemir Fernandes Bagon



quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Pontuação

Melhor instante de todos os tempos narrativos: reticências colocadas ao fim do discurso.

Edemir Fernandes Bagon

domingo, 4 de agosto de 2013

Sensatez

Faça da loucura sua razão. 
Cria uma guerra contra suas ideias fundamentadas em certezas. 
Cala o instinto do silêncio.


Edemir Fernandes Bagon

Estação

quando for o tempo de partir, 
escreva seu nome na parede com os olhos; 
deixe as mãos livres para tocar os sonhos.


edemir fernandes bagon

sábado, 27 de julho de 2013

Tear




Aquele homem se arrastava na calçada da Avenida Paulista.
Pernas inválidas. Um cartaz sustentado no pescoço.
Dezenas de pessoas se desviavam do seu corpo  a todo instante.
Perto dele uma banca de jornal e uma estação de metrô.
Treze graus indicados no termômetro.
Um frio inválido lhe tocava os membros superiores.
As mãos seguravam uma cesta transparente.
Algumas moedas lhe eram jogadas.
Um velho se aproximara dizendo algumas palavras.
Um sorriso nasceu. E rugas se fizeram nos cantos dos seus olhos.
Seu espírito sentia a chuva fina e cinza.
Seus pés sujos colocados em cima de um papelão molhado.
Os sons dos carros.
Os escarros deixados a seu lado.
O tear do tempo e o desespero de ser no mundo.


edemir fernandes bagon

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Servidão

Ainda que a loucura se transforme em caminhos
e que as palavras inventadas sob a nudez se escondam por entre olhos aprisionados

Abracemos o tempo como servos voluntários




Edemir Fernandes Bagon



quinta-feira, 18 de julho de 2013

Mar de Ulisses

Ulisses num mar de pedras tristes.

edemir fernandes bagon




Arca de Noé

A miséria humana perpetuada 
em projetos político-religiosos
elaborados por mãos  e cérebros 
pecaminosos.


edemir fernandes bagon

sábado, 13 de julho de 2013

Revolta




De repente, senti-me assim tão consciente de mim mesmo que decidi ir às ruas protestar a sua falta pública em minha vida privada.

edemir fernandes bagon


terça-feira, 9 de julho de 2013

Island

The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...