quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Invenções

invente um novo coração com plena liberdade de amor 
para que se tornem  sonhos todas as dificuldades da vida
um coração em forma de escudo, mas daqueles de quando se é um menino ainda...
[o que não invalidaria um verdadeiro duelo em tempos de aflição e de loucura]

invente um outro tipo de alma

sem karma
sem inferno
sem paraíso

uma do tipo trança de cabelo de menina [todas as formas livres]
alma da cor do primeiro encanto da vida,
e com rugas também, 
porém sem esclerose nenhuma

invente novas formas de poder com nenhum caráter político
com caráter nenhum de influência sobre o comportamento dos homens
invente outra questão mais complexa  que a da natureza das relações humanas
considere ainda a possibilidade de jamais ter sido visto e analisado o pensamento
invente um quadro artístico sem nada haver pensado 
[com a dimensão de tudo e de mais nada]
como se não houvesse intenção de compreender o feito da tragédia nascida

espere pela ressurreição da noite para que acenda o fogo
e possa iluminar um navio em pleno mar [inventado e distante]

invente um tipo diferente de dor
azul quando estiver triste ou verde quando eu partisse 
em caso de paixão, porém,  castanho-escura 

mas que seja apenas isso: dor inventada
podendo ser formatada quanto ao tipo de fonte

invente outra alma que possa controlar o amor
porque o corpo não pode, pois  não é livre

invente a vida
com ou sem um porto
com ou sem partida

invente o amor
em outras cores para os olhos
- e não corte suas tranças de menina,
porque não se é invenção nenhuma

deixe-se livre como duas almas perfeitas segurando um escudo em forma de coração.

inventar será isso?


edemir fernandes bagon