sábado, 23 de janeiro de 2010

Desespero

perdi a noção do tempo e da sensação de
como foram os anos de minha vida
[o doce mundo que parti ao meu gosto]


com o meu amor inteiro
[dividido com o vento (?)]
perdi os sentidos primeiros
procurei a forma da pura insanidade

desencantei-me por quase tudo que ainda existe

sonhar...[?]

talvez existam caminhos formados 
procurados na ideia de outro dia
como se o eu estivesse competindo
                ou quisesse voar de um penhasco
pairando sobre o espírito inquietante do mar escuro e longínquo
para calar-me num imensurável e estranho eu-perfeito e
quase imperceptível  sob a forma de um desejo em preto e branco 

entreguei-me a mim mesmo para esperar pelo tempo novamente
para mergulhar doravante no encanto da própria esperança redimida
sem ter mais a ansiedade pela compreensão da vida

senhor de mim mesmo - em total desespero,
(escravo de minha fé na insanidade)
eu (imperfeito) vejo o dia chegar da janela do quarto e a vida ir embora em silêncio-segredo.

Edemir Fernandes Bagon

Um comentário:

  1. Nossa, chega doer de tão lindo!

    Me identifico muito com tua escrita, poeta!

    BeijO

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