E num pedaço de mim
Escrevo agora
Para ser traduzido noutra língua
E ser feito de amor
Da mesma maneira que o universo
Compreendido apenas no silêncio
E colocado diante dos olhos para ser um mistério
Edemir Fernandes Bagon
Amanhecer no Horizonte é um blog de poesias, microcontos, artigos e reflexões escrito por Edemir Fernandes Bagon, onde o cotidiano, a memória e os afetos ganham voz em textos intensos e humanos.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Sinal
um instante perto do passado: palavra
enquanto o tempo não passa: calado
enquanto a infância é perdida: abraço
um sinal de angústia: fechado
um discurso vazio: aceno
uma carta de amor: salmos
um cansaço infinito: nascemos
edemir fernandes bagon
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Quando
Quando for o tempo
Quando for embora
Quando for a hora
Quando for ao templo
Quando for lá fora
Quando for aurora
Quando for nascer
Quando for morrer
Quando for maior
Quando for melhor
Quando for senhor
Quando for raiar
Quando for me amar
Quando for voltar
Quando for dizer
Quando for sofrer
Quando for cantar
Quando for sentir
Quando for fugir
Quando for entrar
Quando for o mar
Quando for o céu
Quando for mortal
Quando for amor
Quando for eterno
Quando for memória
Quando for história
Quando for matéria
Quando for singela
Quando for inglória
Quando for me olhar
Quando for seguir
Quando for partir
Quando for assim
Quando me quiser
Quando te disser
Quando eu sonhar.
Edemir Fernandes Bagon
Quando for embora
Quando for a hora
Quando for ao templo
Quando for lá fora
Quando for aurora
Quando for nascer
Quando for morrer
Quando for maior
Quando for melhor
Quando for senhor
Quando for raiar
Quando for me amar
Quando for voltar
Quando for dizer
Quando for sofrer
Quando for cantar
Quando for sentir
Quando for fugir
Quando for entrar
Quando for o mar
Quando for o céu
Quando for mortal
Quando for amor
Quando for eterno
Quando for memória
Quando for história
Quando for matéria
Quando for singela
Quando for inglória
Quando for me olhar
Quando for seguir
Quando for partir
Quando for assim
Quando me quiser
Quando te disser
Quando eu sonhar.
Edemir Fernandes Bagon
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Nevoeiro
publico meu corpo em
palavras que respiram
distintas formas da história
recente do amor que descubro
edemir fernandes bagon
palavras que respiram
distintas formas da história
recente do amor que descubro
edemir fernandes bagon
sábado, 7 de janeiro de 2012
Corpo de S.Paulo
Ruas do centro de São Paulo
República
Viaduto do Chá
Rua da Quitanda
15 de Novembro
Anhangabaú
Teatro Municipal
Corpos que se vendem embaixo da ponte
Mendigos por toda parte deitados na calçada
Mendigos nas esquinas formadas no Largo do Arouche
E o Colégio São Bento...
Um cheiro de mofo dentro do Edifício Conde Matarazzo
Elevadores dentro do estômago
Um movimento intenso nos escritórios de cobrança
Um movimento intenso dos terminais de ônibus
O desumano espelhado nos carros
A ficção do anonimato com destino
Destino apagado nos túneis do metrô
Vozes de oração do falso pastor
Encenação da vida (?)
Ferrugens nos ferros do bueiro
E um homem desce a escada rolante com apenas uma das pernas
E uma jovem sentada na mureta da praça espera
De onde vieram?
Para onde foram?
Ambos à venda ?
Enterram-se as flores com prédios inteiros demolidos
Mendigos que forram o chão das ruas
E os carros valem mais que todos esses corpos nas avenidas
E os carros valem mais que todos esses corpos nas avenidas
E os carros valem mais que todos esses corpos nas avenidas
Edemir Fernandes Bagon
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