segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Tasso

E num pedaço de mim
Escrevo agora
Para ser traduzido noutra língua
E ser feito de amor
Da mesma maneira que o universo
Compreendido apenas no silêncio
E colocado diante dos olhos para ser um mistério

Edemir Fernandes Bagon

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Sinal


um canto perto do lago: cada dia
um instante perto do passado: palavra

enquanto o tempo não passa: calado
enquanto a infância é perdida: abraço 

um sinal de angústia: fechado
um discurso vazio: aceno

uma carta de amor: salmos
um cansaço infinito: nascemos

edemir fernandes bagon


quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Quando

Quando for o tempo
Quando for embora
Quando for a hora
Quando for ao templo

Quando for lá fora
Quando for aurora
Quando for nascer
Quando for morrer

Quando for maior
Quando for melhor
Quando for senhor
Quando for raiar

Quando for me amar
Quando for voltar
Quando for dizer
Quando for sofrer

Quando for cantar
Quando for sentir
Quando for fugir
Quando for entrar

Quando for o mar
Quando for o céu
Quando for mortal
Quando for amor

Quando for eterno
Quando for memória
Quando for história
Quando for matéria

Quando for singela
Quando for inglória
Quando for me olhar
Quando for seguir

Quando for partir
Quando for assim
Quando me quiser
Quando te disser
Quando eu sonhar.


Edemir Fernandes Bagon

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Nevoeiro

publico meu corpo em
palavras que respiram

distintas formas da história
recente do amor que descubro

edemir fernandes bagon

sábado, 7 de janeiro de 2012

Corpo de S.Paulo


Ruas do centro de São Paulo
República
Viaduto do Chá
Rua da Quitanda
15 de Novembro
Anhangabaú
Teatro Municipal
Corpos que se vendem embaixo da ponte
Mendigos por toda parte deitados na calçada
Mendigos nas esquinas formadas no Largo do Arouche
E o Colégio São Bento...
Um cheiro de mofo dentro do Edifício Conde Matarazzo
Elevadores dentro do estômago
Um movimento intenso nos escritórios de cobrança
Um movimento intenso dos terminais de ônibus
O desumano espelhado nos carros
A ficção do anonimato com destino
Destino apagado nos túneis do metrô
Vozes de oração do falso pastor
Encenação da vida (?)
Ferrugens nos ferros do bueiro
E um homem desce a escada rolante com apenas uma das pernas
E uma jovem sentada na mureta da praça espera
De onde vieram?
Para onde foram?
Ambos à venda ?
Enterram-se as flores com prédios inteiros demolidos
Mendigos que forram o chão das ruas
E os carros valem mais que todos esses corpos nas avenidas
E os carros valem mais que todos esses corpos nas avenidas
E os carros valem mais que todos esses corpos nas avenidas






Edemir  Fernandes Bagon

Island

The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...