sexta-feira, 31 de maio de 2013

Do tecnicismo à globalização: letramentos virtualmente conhecidos

Edemir Fernandes Bagon


Com a globalização, a necessidade de comunicação e de informação em tempo real tornou-se um imperativo nas relações humanas. Tal exigência evidencia-se no modo como a linguagem contemporânea é empregada na vida cotidiana das pessoas. A linguagem é um reflexo dessas transformações socioculturais.

Hoje, o internetês configura-se numa forma de organização do discurso que atende aos anseios de milhões de pessoas em todo o mundo. É usado em diferentes suportes (MSN, Facebook, Twitter, Orkut) conforme a necessidade do usuário (bate-papo, comunidade, trabalho, entre outros). No entanto, seu registro de natureza informal e dinâmica tende a se afastar dos padrões estabelecidos pela Gramática tradicional. 

Com efeito, os tradicionalistas afirmam amiúde que o uso do internetês é uma das causas da falta de domínio e de conhecimento da norma culta da linguagem. Nessa concepção, os novos letramentos caracterizam-se como inadequados ao processo de ensino e aprendizagem da língua materna.

Depois da aplicação do modelo tecnicista de educação formal (Lei 5.692/71), observado durante o Regime Militar, e o enfoque procedimental dado pelas propostas curriculares elaboradas nos anos 80, com a redemocratização do país, muito se discutiu a respeito dos efeitos dessas políticas públicas já sob impacto da nova ordem mundial, nos anos 90: globalização e neoliberalismo. Em conseqüência disso, a temática fundamental dos novos tempos ficou sendo a qualidade total versus quantidade.

De toda forma, o ensino da língua portuguesa nas escolas pressupõe um novo olhar dos professores, principalmente, para o modo como os educandos interagem com o mundo. Isso implica, portanto, rever práticas excludentes e/ou tradicionais – cristalizadas ao longo da história – em favor de certos letramentos significativos atualmente, dentre eles, o uso do internetês em sala de aula.

Em outras palavras, é preciso reconhecer o fato de que se trata de um tipo de linguagem na qual são utilizados recursos de expressão oral, de escrita alfabética, de ideogramas, de pictogramas; e, sobretudo, exige do sujeito da enunciação a capacidade linguística de análise e reflexão. 

Uma escola voltada para o futuro e para a democracia não pode ficar presa num passado de práticas preconceituosas acerca da linguagem de sua clientela. Ela não deve ensinar apenas sujeito e predicado, tampouco apenas redação ou produção de texto. Mas revelar o funcionamento da linguagem, seus processos e mecanismos de construção da vida encontrada em todos os lugares - virtualmente conhecida por boa parcela da população e que não pode ser discriminada.