segunda-feira, 24 de junho de 2013

A canção de Cristo

Seria humanamente aceitável o erro diante da vida
Se não fossem as doutrinas morais carregadas de rancor

Apesar disso, as folhas caídas das árvores silenciosamente se transformam
E  também as nuvens se dissipam sem nenhum sentimento de culpa ou de saudade

Seguem os rios as margens daquilo que são verdadeiramente
Com a força e a serenidade dos que são justos com o tempo

Na última ceia de Cristo
Judas ouviu uma canção de amor

Edemir Fernandes Bagon

sexta-feira, 21 de junho de 2013

A Revolta das Tarifas


Pelo fim das regalias da classe política do país!
Abaixo seus altos salários!
Pelo aumento de sua jornada de trabalho!
Pelo fim de seus auxílios pecuniários e vergonhosos!
Pela diminuição do número de parlamentares!
Pela extinção da “carteirada”, da barganha em votações, do tráfico de influência!
Pelo fim da verba indenizatória mensal !
Pela extinção do auxílio-moradia de R$ 4,3 mil e do direito a carro oficial com motorista!

Abaixo a verba de gabinete , passagens e uso de telefone celular ilimitado!
Pelo fim do direito ao “cotão” dos deputados federais!!
Pelo fim do direito a foro privilegiado!
Abaixo 14. º salários de 16.500 reais ao ano de deputados e senadores!

Viva a Revolta das Tarifas!

Edemir Fernandes Bagon

Encanto


Eu não me calo dentro de mim
Converso com meu coração
Coisas que só eu mesmo compreendo
Revelo a mim mesmo a minha essência e o meu desejo
Construo e invento objetos que sou
Me afirmo e me nego como quero

Dentro de mim o sonho e suas formas escrevem poemas
Espero pelo Tempo com paciência
Sento-me diante dos meus olhos
Com a mesma simplicidade de menino
Ainda que eu seja por fora um outro bem distante

Não me calo por dentro porque não sou governo
Não me calo por dentro porque não sou escravo
Não me calo por dentro porque não sou espelho
Não me calo por dentro porque não sou sozinho

O silêncio me encanta lá fora.

Edemir Fernandes Bagon





sexta-feira, 14 de junho de 2013

Urgência



Depois me diz como ter amor em tempos de cólera. 
Por agora, me escreva apenas 
Como ser em tempos de solidão.

Edemir Fernandes Bagon

domingo, 9 de junho de 2013

Órion




Caberia ao Tempo seguir pelas ruas esperando por Deus

Talvez seja necessário desistir de algumas cores encontradas nos sonhos

O que sentir para não ser esquecido?
O que dizer para ser aceito?

Como ser uma estátua-símbolo do não-ser?

Interpretando papéis secundários num mundo de estranhos protagonistas?
Confiando na maldade do próximo?
Atribuindo a si mesmo uma grandiosidade fingida?
Falando do paraíso sem acreditar em nada?

Seria fácil fechar os olhos diante daqueles que dormem em velhos casarões postiços
Fácil esquecer dos que não compreendem com clareza
E duvidar dos egoístas suicidas

O Tempo, esperando por Deus, vocifera (com uma harpa nas mãos):
                                             O céu insiste em descansar sobre o mal.


Edemir Fernandes Bagon

quarta-feira, 5 de junho de 2013

As vias

Os olhos não sabem para onde ir porque a alma é livre. Por isso as ruas guardam, em segredo, todos os destinos.

edemir fernandes bagon

Desconfiguração

Estranho que tenhamos vivido por muito tempo juntos e sequer nos vimos.

edemir fernandes bagon

Orvalho

Viu nas folhas de uma orquídea o orvalho. Sentiu sua condição diante da vida. Orvalhou-se.

edemir fernandes bagon

Island

The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...