sábado, 27 de julho de 2013

Tear




Aquele homem se arrastava na calçada da Avenida Paulista.
Pernas inválidas. Um cartaz sustentado no pescoço.
Dezenas de pessoas se desviavam do seu corpo  a todo instante.
Perto dele uma banca de jornal e uma estação de metrô.
Treze graus indicados no termômetro.
Um frio inválido lhe tocava os membros superiores.
As mãos seguravam uma cesta transparente.
Algumas moedas lhe eram jogadas.
Um velho se aproximara dizendo algumas palavras.
Um sorriso nasceu. E rugas se fizeram nos cantos dos seus olhos.
Seu espírito sentia a chuva fina e cinza.
Seus pés sujos colocados em cima de um papelão molhado.
Os sons dos carros.
Os escarros deixados a seu lado.
O tear do tempo e o desespero de ser no mundo.


edemir fernandes bagon

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Servidão

Ainda que a loucura se transforme em caminhos
e que as palavras inventadas sob a nudez se escondam por entre olhos aprisionados

Abracemos o tempo como servos voluntários




Edemir Fernandes Bagon



quinta-feira, 18 de julho de 2013

Mar de Ulisses

Ulisses num mar de pedras tristes.

edemir fernandes bagon




Arca de Noé

A miséria humana perpetuada 
em projetos político-religiosos
elaborados por mãos  e cérebros 
pecaminosos.


edemir fernandes bagon

sábado, 13 de julho de 2013

Revolta




De repente, senti-me assim tão consciente de mim mesmo que decidi ir às ruas protestar a sua falta pública em minha vida privada.

edemir fernandes bagon


terça-feira, 9 de julho de 2013

domingo, 7 de julho de 2013

Atávico

...e o mundo vai reconstruindo suas velhas histórias de desigualdade e violência.

Edemir Fernandes Bagon

sábado, 6 de julho de 2013

Relativização da Realidade

meu amor foi mais bonito que o de francesca e paolo
mais intenso que o de romeu e julieta
mais encantador que o de peri e ceci
mais intransitivo do que o de carlos e fräulein
porque foi meu simplesmente meu

edemir fernandes bagon

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Ontologias


Encontra a parte que te falta para ser ontologicamente inteiro. Eu compreendo o quanto isso é difícil. Afinal, a vida é tão cheia de lacunas e distanciamentos. São inúmeras as escolhas possíveis e, também, inimagináveis as possibilidades determinadas pela inconstância dos sonhos. No entanto, existem formas para ser pleno se compreenderes a importância de olhar sempre para as coisas vivificadas pelo instante. De tudo aquilo que tens sonhado, pensado e desejado, procura pelo instante tirado do tempo (e que te foi dado para sempre) como a última forma de existência. O que fica na memória de tua alma é o instante. O olhar, o toque, a virtude e o mistério vão assim compondo tua essência de maneira que todas as distâncias passem a ser vistas de todos os pontos do mundo. E, com efeito, a parte perdida outrora será novamente tua. Por entre as lacunas de toda a vida há caminhos. Todo destino é um apanhado de instantes encontrados.

Edemir Fernandes Bagon

terça-feira, 2 de julho de 2013

Island

The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...