quinta-feira, 19 de junho de 2014

Oratório

são as paredes que gritam o que sinto
partes reduzidas e encarnadas no tempo
quarenta dias num deserto de silêncio

escorpiões do outro lado da porta da casa
gritos que percorrem os cantos de minh' alma

dentro de mim um planeta de palavras incompreendidas
no lado externo de tudo o que sinto disformes juízos
como  vingança em forma de festa

comemoração em sentido contrário
braços e gargantas sangrentos

uma verdade assimétrica
um tempo de cinismo e solidão
uma espera angustiante para partir

breve permanência da ignorância

edemir fernandes bagon