sábado, 14 de junho de 2014

Sobre Dilma Rousseff, a Abertura da Copa e a Educação


Sinceramente, xingar uma mulher ao lado de sua filha num estádio de futebol é de uma estupidez imensurável. Infelizmente, a presidente Dilma Rousseff sentiu um pouco daquilo que incontáveis professoras da rede pública estadual (e, também, professores) sofrem em sala de aula. De fato, existe a crise política e as pendências necessariamente devem ser dirimidas. Creio eu, no entanto, que a crise maior está no campo da ética moral.


Nesse sentido, ainda que as falhas grotescas das atividades políticas corroborem para a insatisfação de boa parte da sociedade, o respeito à dignidade humana deve ser o princípio das ações dos sujeitos sociais. Se assim não o for, povo e classe política terminam por formar um grupo singularizado não pela virtude, mas sim, pela violência e pelo descaso. Alguém dirá ser legitima a liberdade de expressão do povo. Concordo, claro. Mas não é legítimo o aviltamento do ser humano.

Outros dirão ser a exploração do homem exatamente aquilo que a classe política faz com o povo. Nesse caso, porém, se pensarmos na democracia enquanto poder político, poderíamos fazer a seguinte pergunta: quem é o eleitor do representante político? Esta seria a questão fundamental a meu ver, mas a maioria do povo brasileiro acaba se esquecendo de que é ela que define seu futuro nas urnas eleitorais!

Pois bem, a transformação das mentalidades e dos comportamentos humanos  quase sempre é atribuída à educação escolar sistematizada. Todavia a escola, hoje, apresenta tantas semelhanças com um estádio de futebol, tantas...  que não tenho medo de dizer que uma parte dos educadores e das educadoras preferiria ficar em suas casas para ter respeito e dignidade. Obviamente, não é um desejo deliberado, e sim, um distúrbio sintomático de uma vida profissional pouco valorizada.

Depois dessa péssima experiência vivida na abertura da Copa, a presidente Dilma e toda a classe política deveriam repensar o modelo educacional brasileiro. Reitero, todavia, meu repúdio ao modo como foi tratada. Reitero que educadoras e educadores são muitas vezes ofendidos assim em sala de aula. Reitero que povo e classe política terminam sendo um corpo singular e uno, mas sem consciência reflexiva num contexto como esse. 

Portanto, é preciso dizer que a “política do pão e do circo” deve ser revista e, sobretudo, repudiada. Além disso, o comportamento dos sujeitos sociais não deve, numa democracia (ainda que no papel), corresponder a uma ação teatralizada, desmedida e jocosa – sem objetivo nenhum, senão o de ferir a dignidade humana.  Na maioria das vezes, os fins não justificam os meios.  Educar é preciso.


                                                           Edemir Fernandes Bagon