quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Pedras raras no deserto

os olhos encontram a alma num beijo
os sonhos veem a vida na parte do corpo onde nascem as palavras

me esqueço no tempo
me enlaço no medo de te perder

me faço perfeito em  teu colo
teu espírito vivifica meus lábios

tocamos Deus sem entender que amamos


Edemir Fernandes Bagon


By Renato Guedes.  Sketch: Kiss.
(Disponível em: 
https://www.facebook.com/RENATOGUEDES.art/?fref=nf)



sábado, 9 de janeiro de 2016

Vira-mundo


A vida dos homens e os seus desencantos pela história dos outros
Um exército de solitários (em busca de si mesmo) invadindo uma fortaleza protegida nos campos de Deus

Hipocrisia sobre versos antigos delineiam os desejos viciados
Os ritos multiplicados em unidades expostas em martírio
Velhice dos olhos que vislumbram a cegueira dos egos

Restos deixados pelas guerras inventadas em nome dos santos
Cor de vingança nas mãos

Nenhuma palavra sábia será ouvida no barulho do silêncio


Edemir Fernandes Bagon











domingo, 3 de janeiro de 2016

Clarim

Quis erguer os olhos para bem longe.
Longe dos olhos dos outros. 
Teria fugido do tempo se pudesse. 
O corpo inteiro definhava sobre a cama.
Estendia as mãos para tocar os olhos. 
A alma enxergava tudo?
O passado condenava a própria dor? 
Era um pequeno espaço a caminhar para chegar ao banheiro. 
A janela de madeira aberta e o quintal, lá fora, esperavam a madrugada chegar sem as estrelas. 
A pele seca colocada no osso.
A boca entorpecida de morfina.
Os clarins do céu  soavam. 
Veio um grito estridente do final da rua. 
Os meninos jogavam bola ainda. 
Alguns carros passavam. 
Havia do outro lado um rio cinza com margens cheias de ratos.
Uma fábrica de blocos. 
Um espasmo. 
O portão que não se abria nunca. 
No lado direito da cama, no quarto, pés miúdos se levantaram e  tocaram o chão. 
A porta do banheiro amarelo foi aberta.
A torneira do lavabo, também. 
Outra tosse.
Outra. 
Quis segurar o espírito que jorrava sangue.
Quis ter o perdão do corpo. 

Edemir Fernandes Bagon




Island

The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...