quarta-feira, 30 de outubro de 2019

μαρίνα

"
"Mulher Entre as Ondas” (1868), por Gustave Courbet. 


Único lugar em que me sinto pleno é perto dos seus olhos.
Decerto, o destino existe em espírito.

O mar aberto em mistério e as sementes dentro dos frutos resistem
                           [citricamente].

De perder-se tanto, o presente renasce em palavras e gestos.
Encontra ele anjos carnais de verdes cintilantes.

O amor descansa numa namoradeira embaixo da árvore.
E diz, o tempo inteiro, para o céu cortado em suas raízes:

"Toque em minhas mãos para ser meu desejo."


Edemir Fernandes Bagon

2 comentários:

  1. O primeiro verso do poema já diz tudo. Lindo!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito obrigado, Ana Bailune! Reitero: é uma alegria imensurável ler um comentário seu! Um abraço fraterno!

      Excluir

Turvidez

Tocaste meu calcanhar como um cão dentro do espelho. Tua casa, de vermelho, em sete cantos, me ouvia. Teu palavreado, como nuvens encantadas...