sábado, 1 de junho de 2019

Corais



Num tempo
                    e noutro
descanso.



tira de mim
                  para me colocar
no mundo,



meu amor.


                                               


Edemir Fernandes Bagon

terça-feira, 21 de maio de 2019

Cais



amor é perder-se no verde intenso e diminuto de seus olhos

sentir o teu corpo
ouvir tua voz [mar de alento]

amor é domínio completo
num silêncio perdido deixado no ouvido em forma de beijo

um poente sobre lençóis de lembranças

amor é um dividido por inteiro
     quase profano
     (e) quase sagrado

tocado em suas mãos, (*)




Edemir Fernandes Bagon


sexta-feira, 15 de março de 2019

Commedia dell'arte

Gritava pelo mundo que não era ainda quem pensava ser. Era tudo uma história inventada por sua própria alma. Não havia motivo para deixar de lado aquela farsa, pois, dizia ele,  "sinto-me feliz dessa maneira". Talvez fosse a vida muito melhor assim. 


Edemir Fernandes Bagon



Tartaglia (commedia dell'arte)


terça-feira, 12 de março de 2019

Salvação



[entre o torto cartaz de emprego colocado na Avenida do Estado e o antigo portão escorado no tempo, desvencilham-se do amargo da vida os olhos tristes do menino Isaías]



 Edemir Fernandes Bagon


domingo, 17 de fevereiro de 2019

Brumas


         
           








             palavra feita de barro
             telúrica

             homens político-metafísicos 
             em moedas de minério de ferro.

             morto o destino onde dormem as montanhas



Edemir Fernandes Bagon



           
                                   
                                              

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Ventre livre

Sem dúvida nenhuma, Doralice estava feliz. Era um daqueles momentos raros na vida. Não conseguia conter em si mesma a própria alegria. Pensou muito nas coisas que iriam acontecer e, também, na causa primeira de tudo aquilo. Fora à igreja e testemunhou o que sentia. Seu corpo falava e sua alma ouvia. Quando voltou para casa, tocou o ventre como se fosse o
arco-íris de Deus. 


Edemir Fernandes Bagon




sábado, 22 de dezembro de 2018

Simoniacs


stray far from plastic heaven
burn your pain

rewrite the untruthful sentences
or follow the fake news and love

the word doesn't mean nothing

muslim
catholic
jew
gospel
spiritist

Is the human being going to be continued?



Edemir Fernandes Bagon



(Fonte:https://istoe.com.br/186615_OS+PODERES+DE+JOAO+DE+DEUS/ )

sábado, 15 de dezembro de 2018

Céu

céu desalinhado no espelho
                            vendido na antiga rua

olhos procurando amor
                         




Edemir Fernandes Bagon



Modigliani – NUA SENTADA EM UM DIVÃ

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Destino


Dois minutos apenas. Foi esse o tempo inventado pelo homem que trazia nas mãos a sua loucura. 
Os policiais perguntaram a ele de que maneira havia cometido aquele crime. 
Silenciava a dor nascida de sua monstruosidade com as mentiras contadas pelos seus olhos. 
No chão, misturada com a água do esgoto, o sangue ainda insistia em sair do corpo daquela mulher. 

- Quando dei por mim, ela estava jogada aí! Não havia nenhum sentido para continuarmos juntos. Decidi o destino do meu jeito.


Edemir Fernandes Bagon




quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Vou Te Encontrar


Olha, ainda estou aqui Perto, nunca te esqueci Forte, com a cabeça no lugar Livre, livre para amar Sofro, como qualquer um Rio, quando estou feliz Homem, dessa mulher Vivo, como você quer Nas ondas do mar Nas pedras do rio Nos raios de sol Nas noites de frio No céu, no horizonte No inverno, verão Nas estrelas que formam Uma constelação Vou te encontrar Vou te encontrar Olha, eu fiquei aqui Perto, está você em mim Forte, pra continuar Livre, livre para amar Sofro, como qualquer um Rio, porque sou feliz Homem, de uma mulher Vivo, como você quer No beijo da moça No alto e no chão Nos dentes da boca Nos dedos da mão No brilho dos olhos Na luz da visão No peito dos homens No meu coração Vou te encontrar Vou te encontrar

(Nando Reis)

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Não encontrava nenhuma forma para falar tudo aquilo que sentia de verdade. Daí, olhando para o céu, estendeu sua mão para uma nuvem e desejou alcançá-la. Olhou de um lado para o outro, não vendo ninguém que o observasse, prostrou-se. De repente, soltou um grito ensurdecedor; pôs a mão na cintura onde guardava um 38 e atirou contra o medo de existir. 

Edemir Fernandes Bagon


Sófocles, Ájax | MITOLOGIA

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Mar de Dentro



[longe do silêncio o espírito tergiversa]

as letras  caem sobre o mundo
e as flores dos campos dançam diante dos anjos

[para que servem os sonhos dos cegos
se aqueles que vivem ainda descalços os renegam (?)]

ficaram de outrora
apenas encantos indivisíveis

[como alma escrita dentro do mar]



Edemir Fernandes Bagon
















domingo, 19 de agosto de 2018

Island

The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...