quarta-feira, 27 de março de 2013

Reescrita

Quando dos olhos afastar
A saudade
Quando dos sinos aguardar
Os sons
Quando nas horas estender
A infância
Reinvente as formas de dizer
"Te amo"

Quando da vida não esperar
Mais nada
Quando perder as forças
Para lutar sem causa
Quando não puder ouvir
Do mistério o insano
Reescreva a história

Quando mitigar a sede
Com a loucura
Quando desistir do desejo
Quando não souber o caminho de volta
Quando não houver silêncio
Quando se perder na imagem
Quando encontrar seu mundo
Me encontre


Edemir Fernandes Bagon

segunda-feira, 18 de março de 2013

Livre-arbítrio

quero o tempo
as margens
os rios
os espelhos formados

quero o silêncio
as palavras
as formas
os caminhos vazios

quero os vãos
as esquinas
os andaimes
os prédios na chuva

quero os erros
eros
o mistério
deuses sobre as fontes

quero o destino
os hinos
os cantos
os céus inventados

quero o querer
perto
os olhos
a saudade de outro lado

quero as cortinas
o teatro
o palco
o ser em cena real

quero a dúvida
o não
o mote
a espera pelas horas no jardim

quero a fome
em nome da deserção do mal
quero a guerra
em nome da inércia do poder
quero ser em números estatísticos
em nome de nada

quero ir ao seu encontro
no passado

quero o medo de não ter outro segredo
quero o sempre do desejo

quero as águas encobrindo as ilhas
o eterno procurando os filhos

uma parte  vivendo no mundo 
outra a escrever em sonhos 



                                                                                                      Edemir Fernandes Bagon

sexta-feira, 15 de março de 2013

Gavetas


Os instantes se calam com o tempo
e, por onde nenhuma certeza caminha,
o desejo de ser  mais intenso se revela

Pouco se sabe o que somos de verdade
e, também, não há nenhuma possibilidade de revisar o que dissemos
Viver é ir desistindo aos poucos de alguns consertos
lendo escritos em explícitos silêncios

Querendo ou não
os destinos desatam os nós das lembranças
e as maiores perdas viram  apenas papéis avulsos -
esquecidos em gavetas de estanho para onde sempre vão as histórias imaginadas no sem-fim

Como um personagem interpretando o ator
Como um filho criando o pai
Como uma restauração do moderno em antigo
Como um império destruído e reformado por mendigos e escravos

Caminhamos de mãos dadas em direção aos sonhos
Somos plásticos nos jardins sem flores
Murais cortados por espelhos inteiros
Viver é ir desistindo aos poucos de alguns consertos

edemir fernandes bagon  







domingo, 10 de março de 2013

terça-feira, 5 de março de 2013

Pedagogia

Analfabetismo amoroso:

Não tocar as mãos.
Não olhar nos olhos
                                e nem ler os lábios.

Edemir Fernandes Bagon

segunda-feira, 4 de março de 2013

Guerra

quando dos caminhos se fizeram outros estreitos
e do orgulho enormes pedras foram deixadas no céu

instantes inteiros vieram em busca de amor
para mitigar a fome dos silêncios perdoados

cadeados encontrados nas ruas das lembranças
distanciamentos sorridentes  deformados em seres violentos

discursos de paz ensanguentados no ódio e no sentimento de superioridade
castrados por números digitados e debruçados sobre as mesas do Estado

para onde irão as mãos erguidas em favor da vida e da humanidade
os monstros se escondem nas escolas pitagóricas

e os versos  nas florestas se libertam dos machados
destino e palavras se equilibrando para vencer os olhos do mal



Edemir Fernandes Bagon






George Benson