quinta-feira, 11 de março de 2010

Desenhos


 desenlaçado do instante do medo

 de tempos em tempos
 nasce o amor
 como se fosse  flores no mundo


 de tempos em tempos me vem a saudade
 como se fosse ventos por sobre as colinas


 de tempos em tempos
 me reconheço pleno nos caminhos da vida
 que se desfazem aos poucos


 foi o tempo desenhado no interior do quarto escuro?


 o exterior nada sente com a ausência?
 o exterior é um sorriso infantil quase sempre?



 importa é o que está aqui dentro do meu coração modelado
 feito argila em mãos de  artesão


 meu coração é a imagem do artesanato de minha alma
 alma em forma de cerâmica antiga
 descoberta por efeitos de luz

 artesanato autônomo
 colocado em minha mesa de dentro

 de tempos em tempos 

 retiro a toalha colocada sobre o coração pelo esquecimento
 e as imagens vão se transfigurando em pele diante dos meus olhos 



 de tempos em tempos
 no mundo procuro o escuro
 sem ao menos me recordar do que fui ou do que seria




 me vejo longe e tão longe
 que estranho qualquer história na qual me  reconheça
 pois sempre quis ser apenas um título sem corpo ou apenas um   
 texto escrito no vitral de uma igreja


de tempos em tempos eu me esqueço.




Edemir Fernandes Bagon