domingo, 14 de março de 2010

Nascentes




da árvore cai a fruta vermelha que tem sabor de infância

da chuva vem a alegria da lembrança do primeiro beijo



do caminho feito de pedras cinzas não me lembro

das mãos nascem as formas da tristeza



das janelas tem-se o gosto das estrelas de absinto

dos espelhos surgem sonhos invisíveis



das entranhas nascem cegas as paixões

dos instantes vem a vida sem o linho



das estátuas surgem tortas as palavras

da morte descobrem-se os olhos de um menino



da espera viera a mãe com os braços enterrados

da saudade foram lançados do outro lado os espinhos

dos sinos construíram as igrejas com as portas fechadas


do oposto criaram-se os mártires de bronze
do início veio a carne sem o verbo

do início veio a carne sem o verbo

[Edemir Fernandes Bagon]