domingo, 30 de dezembro de 2012

Poética do silêncio


Busque incessantemente pela compreensão dos instantes da vida. Esse desejo contínuo encontrará na poesia um descanso momentâneo. Sem perder ou negar a beleza do mundo, traduza o tempo contido nos silêncios das palavras. O silêncio é o horizonte dos que procuram sentido para viver.


                                                Edemir Fernandes Bagon

Soluções


continue a pensar na existência
ainda que seja o destino imutável

ainda que o desânimo conheça seu espírito
continue a viver

(porque seus filhos esperam encontrar seu sorriso)

e se for partir para  outro canto para  esquecer de si mesmo
e daqueles que o fizeram usar máscaras

ainda assim, perceba sua capacidade de sentir amor
(estranho viver às avessas)

continue...


edemir fernandes bagon

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Do capitalismo cibernético


Eis o capitalismo cibernético selvagem: ensina a negar o que julga não ser perfeito e impõe o ideal da superioridade... não o da igualdade.

Logo, aqueles que se submetem a seus princípios, querem ter a melhor casa... mesmo morando ao lado de um rio podre; querem ter a melhor roupa... mesmo sem ter lido um livro; querem ser chefes... mesmo sem saber que são humanos. 


E terminam eles elaborando um discurso falacioso acerca de uma pretensiosa lógica do sucesso, da predestinação do vencedor e/ou da impetuosidade dos que se julgam superiores... apenas para continuarem a vida... não sendo nada.



Edemir Fernandes Bagon

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Quando Você Voltar - Legião Urbana

Contradição


agora que o tempo se transforma em corpo
agora que o corpo se desfigura em contorno
agora que o contorno nasce da trilogia
agora que a trilogia representa o fim

agora que o fim simboliza o mar
agora que o mar nasce no meio
agora que o meio se completa inteiro
agora que o inteiro vem do infinito

agora que o infinito sofre de esquecimento
agora que o esquecimento aprendeu seu nome
agora que seu nome escrevo na pele do meu desejo
agora que desejo ser o seu invento

agora que invento de amar o seu tempo
agora que seu tempo deixa do lado de fora o meu silêncio
agora que meu silêncio te procura por todo instante
eu já não te vejo.




edemir fernandes bagon

sábado, 15 de dezembro de 2012

Silêncios

te dou uma rosa para mostrar o que tenho no espírito
e te escrevo centenas de versos para que na minha vida possas continuar seguindo
embora eu saiba que nem mesmo as palavras poderão te encontrar
enquanto estiver no mundo

te procuro de longe sob os céus e os mares

te procuro

a cada sentido teu
eu entrego os meus olhos
com as mãos estendidas e um gosto enterrado no presente

te levo para o lado mais puro de mim tirado
e seguro nos dedos todas as coisas inacabadas
te toco os lábios para calar-me diante do mundo
e traduzo teu silêncio em tudo o que sou
em tudo

edemir fernandes bagon

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Koko Taylor - That's why I'm crying

Apocalipse


Dividem-se os homens no tempo.
Revolucionam o mundo.
Ficam os intocáveis medos.
Restam nos cantos silêncios religiosos.

Haverá formas no mundo da ignorância?
Haverá ausência no instante?
Caminhos insanos e perfeitos?
Existirão conteúdos mais sinceros que o amor?
Seremos donos das terras?
Dançaremos no horizonte?
Vinganças e mentiras trocaremos pela liberdade de ser?
Onde  ficarão os sonhos se não existirmos livres?

Cada segundo nos prende.

Ainda que fôssemos alguma coisa,
Seríamos  espelhos pedindo clemência...
Buscando perdão pela  infância perdida ou
Aceitando o mal para ser um bem menor.

Se quiséssemos realmente cantar os salmos, nós não faríamos um comércio de Deus.
Se procurássemos um mar aberto perto do deserto,  roubaríamos até mesmo o cajado de Moisés.
E o ódio se deitaria com o mar desnudando a terra.


Edemir Fernandes Bagon

Island

The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...