Amanhecer no Horizonte é um blog de poesias, microcontos, artigos e reflexões escrito por Edemir Fernandes Bagon, onde o cotidiano, a memória e os afetos ganham voz em textos intensos e humanos.
sábado, 24 de maio de 2014
sexta-feira, 23 de maio de 2014
domingo, 11 de maio de 2014
Mistério
Mãe, não sei como seguir em frente.
A vida parece mais difícil agora.
Quando mais precisei, alguns poucos estenderam-me a mão.
Estou assim sem rumo - feito mar encontrando uma rocha imensa que não se move.
O que desmentir?
O que perdoar?
O que procurar?
À noite, perco-me nas lembranças. Sem o céu, o que fazer com a lua e as estrelas?
No entanto, não estou disposto a regressar.
Não quero mais sentir-me menor.
Tenho vergonha do que fizeram comigo.
Tenho medo da minha imagem no espelho.
Difícil desvendar o mistério de viver.
Creio estar fora do alcance do espírito (que não dorme).
A desumana arte da hipocrisia sempre como uma espécie de luz que desaparece no encantamento do silêncio.
Esse mesmo silêncio sobre as pedras das ruas junto às igrejas e dos homens vazios nos seus cantos.
Fantoches.
Não há espaço para o tempo.
Mãe, um dia ... se puder, venha abraçar-me para eu sentir a Verdade outra vez.
A vida parece mais difícil agora.
Quando mais precisei, alguns poucos estenderam-me a mão.
Estou assim sem rumo - feito mar encontrando uma rocha imensa que não se move.
O que desmentir?
O que perdoar?
O que procurar?
À noite, perco-me nas lembranças. Sem o céu, o que fazer com a lua e as estrelas?
No entanto, não estou disposto a regressar.
Não quero mais sentir-me menor.
Tenho vergonha do que fizeram comigo.
Tenho medo da minha imagem no espelho.
Difícil desvendar o mistério de viver.
Creio estar fora do alcance do espírito (que não dorme).
A desumana arte da hipocrisia sempre como uma espécie de luz que desaparece no encantamento do silêncio.
Esse mesmo silêncio sobre as pedras das ruas junto às igrejas e dos homens vazios nos seus cantos.
Fantoches.
Não há espaço para o tempo.
Mãe, um dia ... se puder, venha abraçar-me para eu sentir a Verdade outra vez.
Edemir Fernandes Bagon
sábado, 10 de maio de 2014
Dialogismo bakhtiniano em cena
[CENA 1]
(Tu): Te...
(Eu): Te...
_________
[CENA 2] (SILÊNCIO)
[CENA 2] (SILÊNCIO)
edemir fernandes bagon
sexta-feira, 9 de maio de 2014
Templos
quando os olhos esquecerem do tempo
e folhas caírem no chão
quando imagens deixarem as horas
e os instantes partirem nas águas
quando os lírios deixarem os campos
e pedras virarem encantos
quando ruas encantarem os anjos
e os céus escreverem seus sonhos
quando os santos cantarem em versos
e noites cobrirem os tetos
quando finitos se tornarem almas
e os escritos sentirem o mundo
quando a vida deixar a saudade
e as mãos tiverem compaixão
quando os rancores se perderem durante a espera
e os caminhos deixarem saída
quando desejos debelarem a moral
e dos homens os egos recobrarem a razão
quando as coisas se revelarem nos espelhos
e as correntezas construírem castelos na areia
quando saírem os barcos do cais
e retornarem os veleiros e os sonhos
seremos templos
e folhas caírem no chão
quando imagens deixarem as horas
e os instantes partirem nas águas
quando os lírios deixarem os campos
e pedras virarem encantos
quando ruas encantarem os anjos
e os céus escreverem seus sonhos
quando os santos cantarem em versos
e noites cobrirem os tetos
quando finitos se tornarem almas
e os escritos sentirem o mundo
quando a vida deixar a saudade
e as mãos tiverem compaixão
quando os rancores se perderem durante a espera
e os caminhos deixarem saída
quando desejos debelarem a moral
e dos homens os egos recobrarem a razão
quando as coisas se revelarem nos espelhos
e as correntezas construírem castelos na areia
quando saírem os barcos do cais
e retornarem os veleiros e os sonhos
seremos templos
edemir fernandes bagon
terça-feira, 6 de maio de 2014
quinta-feira, 1 de maio de 2014
Sobre o preconceito racial
Considerar o preconceito racial, a intolerância étnica e o racismo como práticas inaceitáveis, a meu ver, é tarefa natural dos homens justos. Não obstante, a sociedade humana apresenta alguns modelos de vida social em que o caráter grotesco de suas relações passa a ser aceito sem que a razão estabeleça critérios distintos e claros. Isso, a meu ver, é resultado das relações de poder instituídas ao longo da história da humanidade. Logo, em virtude da ausência dos critérios racionais, a sociedade humana produziu, infelizmente, a escravidão e o holocausto.
Nesse sentido, não enxergar o problema histórico do aviltamento humano constituiu-se em práticas comuns na vida em sociedade, pois, reconhecidamente, o homem não possui outro recurso senão o da crítica da própria razão para encontrar o princípio da igualdade. E, por conseguinte, dele fazer o fundamento de sua existência. Ficar a favor, ou não, de uma "campanha" é resultado de profunda reflexão acerca daquilo que é Justo. Para mim, quando a Razão demonstra a ausência de justiça, penso ser necessário o engajamento.
Claro que alguns dirão ser a mobilização um equívoco, afinal "um jogador de futebol recebe milhões por ano" e, portanto, numa sociedade dividida em classes, "estaria acima do bem e do mal". Outros dirão que se trata apenas de um comportamento inadequado de uma "torcida inflamada", porém, "cultural" (ver o caso Tinga). Ainda assim, o que está em jogo é a luta pela igualdade e pelo respeito à existência humana.
Talvez, dessa maneira, compartilhando discursos contrários em redes sociais, numa conversa entre amigos ou em sala de aula - o racismo, o preconceito, a intolerância possam ser banidos não apenas do futebol, mas também, das delegacias de polícia, das penitenciárias, das escolas, das empresas e, quem sabe um dia, da vida humana.
Edemir Fernandes Bagon
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