segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Archangelus

Miguel cresceu pertinho do mar.
Brincava todo o tempo com as ondas que vinham despertar a areia da praia.
De longe, a mãe chamava seu nome:
 - Miguel! Miguel! Vem, anjo!

Um dia, Miguel amarrou uma linha na cabeça de um peixe morto e correu pela orla inteira imitando o barulho de um carro.
A mãe achava graça de ver na mão do seu menino uma linha  enrolada nos restos do peixe do mar.

- Miguel! Miguel! Vem, anjo!

A voz da mãe ecoou nos cantos do mundo como a de um arcanjo contra dragões inimigos e anjos infiéis.

Miguel não veio.


Edemir Fernandes Bagon

2 comentários:

  1. Acróstico

    As vezes eles parecem crianças normais
    Riem, brincam e até obedecem aos pais
    Contudo, todos sabem que um dia se vão
    Há arcanjos e todos demais da civilização.

    Apenas aceitemos sua presença portanto
    Nunca mostremos curiosidade um quanto
    Gente vive como gente, mas arcanjos não
    E certo dia sobem ao infinito em abdução.

    Longe, no céu, é seu destino sacrossanto
    Unidade entre o céu e os que aqui ficarão
    Sendo que arcanjos sempre terão encanto.

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