sábado, 16 de agosto de 2014

Encontros


quis esquecer o retrato

encontrar o passado

me vi no mundo igual palavra esquecida em dicionário





edemir fernandes bagon
     





sábado, 2 de agosto de 2014

Estrelas


Nos cantos do mundo
A guerra não cansa

Mães que choram
Filhos que perdem

Os olhos de Gaza não brilham
Abraão virando Cronos

Desertadas todas as mãos
Encobertas as estrelas que guiam no deserto
Sarah, Jacob e João - abraçados num mar morto

Cantam os cantos Salmos


 Edemir Fernandes Bagon




sexta-feira, 18 de julho de 2014

Poética


De repente, o corpo se perde na espera

Vez por outra
A vida vira poesia

Edemir Fernandes Bagon





quarta-feira, 9 de julho de 2014

Orbitais


encontros perdoados pela ausência
diáspora de sonhos
órbitas dos olhares mais profundos para o lado mais claro do tempo

imagem desmembrada da pintura
calmamente inscrita na espera

vem do mistério antes seus segredos
       dos mares donos de seu espelho

A alma não se faz de palavras


Edemir Fernandes Bagon




Estigma

O destino é incapaz de reconhecer a insanidade do desejo.

edemir fernandes bagon

terça-feira, 1 de julho de 2014

Witness

Vez por outra
Os olhos se esquecem

A vida é um pouco disso ou daquilo...
De repente as coisas se renovam em nome do que foi

Sobretudo reinventa-se o inacabado
Para deixar seguir o espírito do novo em paz

Unilaterais são as paixões porque são histórias


edemir fernandes bagon






sexta-feira, 27 de junho de 2014

Distribuição do tempo


Cada vez são mais os que crêem menos
Nas coisas que preencheram as nossas vidas,
Os mais altos, os incontestáveis valores de Platão ou Goethe,
O verbo, a pomba sobre a arca da História,
A sobrevivência da obra, a descendência e as heranças.

Nem por isso caem do céu do neófito
Na ciência que expõe máquinas na lua;
Na verdade, tanto faz que o doutor Barnard
Faça transplantes do coração
Era preferível mil vezes que a felicidade de cada um
Fosse o exacto, o necessário reflexo da vida
Até que o coração insubstituível pudesse dizer simplesmente basta.

Cada vez são mais os que crêem menos
Na utilização do humanismo
Para o nirvana estereofónico
De mandarins e estetas.

Sem que isto queira significar
Que quando houver um instante de inspiração
Não se leia Rilke, Verlaine ou Platão,

Ou se escute os nítidos clarins,
Ou se vislumbre os trémulos anjos
De Angélico.


- Julio Cortázar, em "Rosa do mundo" - poemas para o futuro. [tradução Jorge Henrique Bastos]. Portugal: Assírio & Alvim, 2001.

Ethos


Ainda que seja um símbolo
Ainda que procure ser
Ainda que não me encontre
Ainda que incompleto
Ainda que tenha sido um fato do passado histórico e livre

A autonomia do amor é viver]


Edemir Fernandes Bagon







terça-feira, 24 de junho de 2014

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Pearl Jam - MTV Unplugged 1992 (HD)

Oratório

são as paredes que gritam o que sinto
partes reduzidas e encarnadas no tempo
quarenta dias num deserto de silêncio

escorpiões do outro lado da porta da casa
gritos que percorrem os cantos de minh' alma

dentro de mim um planeta de palavras incompreendidas
no lado externo de tudo o que sinto disformes juízos
como  vingança em forma de festa

comemoração em sentido contrário
braços e gargantas sangrentos

uma verdade assimétrica
um tempo de cinismo e solidão
uma espera angustiante para partir

breve permanência da ignorância

edemir fernandes bagon






sábado, 14 de junho de 2014

Sobre Dilma Rousseff, a Abertura da Copa e a Educação


Sinceramente, xingar uma mulher ao lado de sua filha num estádio de futebol é de uma estupidez imensurável. Infelizmente, a presidente Dilma Rousseff sentiu um pouco daquilo que incontáveis professoras da rede pública estadual (e, também, professores) sofrem em sala de aula. De fato, existe a crise política e as pendências necessariamente devem ser dirimidas. Creio eu, no entanto, que a crise maior está no campo da ética moral.


Nesse sentido, ainda que as falhas grotescas das atividades políticas corroborem para a insatisfação de boa parte da sociedade, o respeito à dignidade humana deve ser o princípio das ações dos sujeitos sociais. Se assim não o for, povo e classe política terminam por formar um grupo singularizado não pela virtude, mas sim, pela violência e pelo descaso. Alguém dirá ser legitima a liberdade de expressão do povo. Concordo, claro. Mas não é legítimo o aviltamento do ser humano.

Outros dirão ser a exploração do homem exatamente aquilo que a classe política faz com o povo. Nesse caso, porém, se pensarmos na democracia enquanto poder político, poderíamos fazer a seguinte pergunta: quem é o eleitor do representante político? Esta seria a questão fundamental a meu ver, mas a maioria do povo brasileiro acaba se esquecendo de que é ela que define seu futuro nas urnas eleitorais!

Pois bem, a transformação das mentalidades e dos comportamentos humanos  quase sempre é atribuída à educação escolar sistematizada. Todavia a escola, hoje, apresenta tantas semelhanças com um estádio de futebol, tantas...  que não tenho medo de dizer que uma parte dos educadores e das educadoras preferiria ficar em suas casas para ter respeito e dignidade. Obviamente, não é um desejo deliberado, e sim, um distúrbio sintomático de uma vida profissional pouco valorizada.

Depois dessa péssima experiência vivida na abertura da Copa, a presidente Dilma e toda a classe política deveriam repensar o modelo educacional brasileiro. Reitero, todavia, meu repúdio ao modo como foi tratada. Reitero que educadoras e educadores são muitas vezes ofendidos assim em sala de aula. Reitero que povo e classe política terminam sendo um corpo singular e uno, mas sem consciência reflexiva num contexto como esse. 

Portanto, é preciso dizer que a “política do pão e do circo” deve ser revista e, sobretudo, repudiada. Além disso, o comportamento dos sujeitos sociais não deve, numa democracia (ainda que no papel), corresponder a uma ação teatralizada, desmedida e jocosa – sem objetivo nenhum, senão o de ferir a dignidade humana.  Na maioria das vezes, os fins não justificam os meios.  Educar é preciso.


                                                           Edemir Fernandes Bagon

sábado, 7 de junho de 2014

Colonialismo

Havia entre nós um Tratado de Tordesilhas.
A parte oeste do meu corpo era sua inteiramente. 
Da sua porção, no entanto, nada me pertencia.

Edemir Fernandes Bagon

Folha de rosto do Tratado de Tordesilhas (1494)

Nobiliários



Pórticos iluminados nos castelos de Vênus
Palácios colocados diante dos sonhos
Versus
Espíritos que viajam em campos gerais da servidão
Janelas da casa encontram o tempo esperando o sol voltar


Edemir Fernandes Bagon






Island

The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...