Amanhecer no Horizonte é um blog de poesias, microcontos, artigos e reflexões escrito por Edemir Fernandes Bagon, onde o cotidiano, a memória e os afetos ganham voz em textos intensos e humanos.
sexta-feira, 24 de novembro de 2023
Má Educação
domingo, 13 de agosto de 2023
Soli Deo Gloria
Estava aparentemente tranquilo. Nenhuma guerra verbal explícita. Nenhuma tempestade litúrgica. Nada que colocasse em risco a cor do céu naquele momento.
Resolvera, de uma hora para outra inventada, questionar a si mesmo sobre a condição de sua infinitude. Perscrutou seu coração e, por vontade própria, decidiu estender os encantos de sua onisciência.
Quando caminhava sobre a terra de seus domínios, cuspiu por entre os dedos de seus segredos mais ocultos. Estes seguiram de perto o silêncio dos seus olhos.
A saliva de sua boca encontrou, porém, a terra virgem das montanhas e dos desertos. Foi assim que ele viu o homem ser criado para cuidar dos seus sonhos.
E Deus sentiu medo.
Edemir Fernandes Bagon
terça-feira, 27 de junho de 2023
Jacó luta com o Anjo no Vau do Jaboque
Deixou seus olhos no passado. Dividiu suas glórias com os mais próximos. Reconheceu suas fraquezas. Mas quando ouviu seu nome ser anunciado no caos, sentiu medo da saudade que lhe tocava o fêmur. Quis rebelar-se contra o céu. Era tempo.
Edemir Fernandes Bagon
| Jacob struggling with the Angel , 1856-1861, Eugène Delacroix |
sábado, 13 de maio de 2023
Delta
O frio das palavras e das paredes despidas
O escrito sobre as sombras nos muros e nos espelhos
O silêncio dos caminhos retilíneos e do destino
A plenitude ancorada no passado
O desvio desfeito em linha reta
O encontro e o desencontro das canções dos anjos
A água límpida deixada nas taças do ego
[O querer dos olhos é pelo ausente]
Edemir Fernandes Bagon
sábado, 25 de março de 2023
quinta-feira, 16 de março de 2023
Releituras
[...]
Trazia no silêncio dos olhos o diálogo escrito pelo desejo. Refazia seus estranhos caminhos por entre as cores transtornadas pela loucura da alma.
Deixava perto das mãos um pincel de cravos e rosas para delinear, em suas veias, cavernas mitológicas. Reconquistava seu reino e toda a armada inglória de sombras e folhas de outono.
Um deus de prata era colocado em xeque no tabuleiro de homens despidos. Monstros de lodo e suas musas de barro aniquilados por incautos domadores de demônios - os primeiros a encontrar o tecido que envolvia as entranhas de Perséfone.
domingo, 9 de outubro de 2022
Ritos
O inteiro céu escrito em prateados ritos
Diante de todas as horas espelhadas
Os degraus
cinzas perpendiculares
O gosto das danças e das línguas nuas
O desejo contempla o tempo em suas mãos
O destino espera pelo jamais vivido
Edemir Fernandes Bagon
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022
terça-feira, 11 de janeiro de 2022
Homens de Bem
Logo após converter-se ao mais profundo dogmatismo religioso, Theodoro prosperou em seu ego e passou a dividir sua visão particular de mundo.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2022
Cristais
portão diante do muro da casa branca
e telhados colados nas folhas das árvores imaginárias
passos desencontrados que atravessam o destino cansado do mundo
céu vestido de rosa e de branco e azul translúcido:
para onde vai o sentido das formas das asas dos pássaros de cristais?
Edemir Fernandes Bagon
sábado, 11 de dezembro de 2021
Ancoradouro
pensamento contido
nas linhas dos olhos
formas incompletas
barcos e navios ancorados no cais
Edemir Fernandes Bagon
BARCOS Ancorados. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira.
quarta-feira, 17 de novembro de 2021
segunda-feira, 15 de novembro de 2021
Cinema
de onde as pedras vermelhas e cinzas [erguidas em silêncio] permanecem
das imagens encantadas pelo cinema falado em preto e branco
da travessia para o outro lado de dentro da vida
e do lado de fora de um antigo casarão que se avistava colado no céu azul
do sensível tecido de frio que me toca com as mãos os cabelos
na clareza dos olhos
o sentir tem a cor de entardecer
Edemir Fernandes Bagon
segunda-feira, 18 de outubro de 2021
Oleiro
dentro de um corpo feito de barro a alma não cabe,
pois sentir é o fim que se desprende do tempo.
Edemir Fernandes Bagon
quinta-feira, 30 de setembro de 2021
Amrita
parte de mim é tua por inteiro
íntima
perene
vulnerável
espalhada em tuas águas entranhadas nas palavras estranhas
[ e nos círculos descritos em forma de mistérios
Edemir Fernandes Bagon
quinta-feira, 9 de setembro de 2021
Intervalos
quarta-feira, 23 de junho de 2021
Praça Pôr do Sol
transliterado o tempo
domingo, 9 de maio de 2021
quinta-feira, 1 de abril de 2021
Rebanhos
o templo dos homens silencia
o tempo das rezas
o campo das guerras
as crianças que choram
os velhos que ainda cantam
as mulheres que sentem a despedida dos filhos
os pés descalços de um deus
os apátridas dos sonhos
os néscios da vingança
as traições vendidas
as moedas partidas
por entre os sicários do medo
desce o rio até o mar mais distante
cortam os fios de luz o vazio de dentro
e com as flores do clero antigo o trigo se espalha em terras secas
por onde vai o que se perde por ter sido amante da estupidez?
o que se encontra por fora do desejo falso da imagem de um mito desumano:
o canto de liturgia e o cálice elevados para o ego dos pastores políticos
[o corpo cingido com uma tolha limpa, mas com as mãos e os pés sujos]
ou
o fim em si mesmo, o próprio homem dissecado em sua própria memória e seu desejo de poder?
os templos silenciam.
(REMBRANDT. O BOI ESFOLADO – MUSEU DO
LOUVRE, PARIS, 1655. ÓLEO SOBRE MADEIRA, 94CM
X 69CM) |
Island
The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...
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Edemir Fernandes Bagon [1] Resumo : O objetivo deste artigo é discutir o processo de construção do conto “A solução”, de Clari...
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O tempo nomeia o medo das coisas. Não há distanciamentos destinados por encantos humanizados. Tudo é temporariamente um nome. E...








