Amanhecer no Horizonte é um blog de poesias, microcontos, artigos e reflexões escrito por Edemir Fernandes Bagon, onde o cotidiano, a memória e os afetos ganham voz em textos intensos e humanos.
quarta-feira, 23 de julho de 2014
sexta-feira, 18 de julho de 2014
Poética
De repente, o corpo se perde na espera
Vez por outra
A vida vira poesia
Edemir Fernandes Bagon
quarta-feira, 9 de julho de 2014
Orbitais
encontros perdoados pela ausência
diáspora de sonhos
órbitas dos olhares mais profundos para o lado mais claro do tempo
imagem desmembrada da pintura
calmamente inscrita na espera
vem do mistério antes seus segredos
dos mares donos de seu espelho
A alma não se faz de palavras
Edemir Fernandes Bagon
terça-feira, 1 de julho de 2014
Witness
Vez por outra
Os olhos se esquecem
A vida é um pouco disso ou daquilo...
De repente as coisas se renovam em nome do que foi
Sobretudo reinventa-se o inacabado
Para deixar seguir o espírito do novo em paz
Unilaterais são as paixões porque são histórias
Os olhos se esquecem
A vida é um pouco disso ou daquilo...
De repente as coisas se renovam em nome do que foi
Sobretudo reinventa-se o inacabado
Para deixar seguir o espírito do novo em paz
Unilaterais são as paixões porque são histórias
edemir fernandes bagon
sexta-feira, 27 de junho de 2014
Distribuição do tempo
Cada vez são mais os que crêem menos
Nas coisas que preencheram as nossas vidas,
Os mais altos, os incontestáveis valores de Platão ou Goethe,
O verbo, a pomba sobre a arca da História,
A sobrevivência da obra, a descendência e as heranças.
Nem por isso caem do céu do neófito
Na ciência que expõe máquinas na lua;
Na verdade, tanto faz que o doutor Barnard
Faça transplantes do coração
Era preferível mil vezes que a felicidade de cada um
Fosse o exacto, o necessário reflexo da vida
Até que o coração insubstituível pudesse dizer simplesmente basta.
Cada vez são mais os que crêem menos
Na utilização do humanismo
Para o nirvana estereofónico
De mandarins e estetas.
Sem que isto queira significar
Que quando houver um instante de inspiração
Não se leia Rilke, Verlaine ou Platão,
Ou se escute os nítidos clarins,
Ou se vislumbre os trémulos anjos
De Angélico.
- Julio Cortázar, em "Rosa do mundo" - poemas para o futuro. [tradução Jorge Henrique Bastos]. Portugal: Assírio & Alvim, 2001.
Ethos
Ainda que seja um símbolo
Ainda que procure ser
Ainda que não me encontre
Ainda que incompleto
Ainda que tenha sido um fato do passado histórico e livre
A autonomia do amor é viver]
Edemir Fernandes Bagon
terça-feira, 24 de junho de 2014
quinta-feira, 19 de junho de 2014
Oratório
são as paredes que gritam o que sinto
partes reduzidas e encarnadas no tempo
quarenta dias num deserto de silêncio
escorpiões do outro lado da porta da casa
gritos que percorrem os cantos de minh' alma
dentro de mim um planeta de palavras incompreendidas
no lado externo de tudo o que sinto disformes juízos
como vingança em forma de festa
comemoração em sentido contrário
braços e gargantas sangrentos
uma verdade assimétrica
um tempo de cinismo e solidão
uma espera angustiante para partir
breve permanência da ignorância
edemir fernandes bagon
partes reduzidas e encarnadas no tempo
quarenta dias num deserto de silêncio
escorpiões do outro lado da porta da casa
gritos que percorrem os cantos de minh' alma
dentro de mim um planeta de palavras incompreendidas
no lado externo de tudo o que sinto disformes juízos
como vingança em forma de festa
comemoração em sentido contrário
braços e gargantas sangrentos
uma verdade assimétrica
um tempo de cinismo e solidão
uma espera angustiante para partir
breve permanência da ignorância
edemir fernandes bagon
sábado, 14 de junho de 2014
Sobre Dilma Rousseff, a Abertura da Copa e a Educação
Sinceramente, xingar uma mulher
ao lado de sua filha num estádio de futebol é de uma estupidez imensurável. Infelizmente,
a presidente Dilma Rousseff sentiu um pouco daquilo que incontáveis professoras
da rede pública estadual (e, também, professores) sofrem em sala de aula. De
fato, existe a crise política e as pendências necessariamente devem ser
dirimidas. Creio eu, no entanto, que a crise maior está no campo da ética
moral.
Nesse sentido, ainda que as falhas grotescas das atividades políticas corroborem para a insatisfação de boa parte da sociedade, o respeito à dignidade humana deve ser o princípio das ações dos sujeitos sociais. Se assim não o for, povo e classe política terminam por formar um grupo singularizado não pela virtude, mas sim, pela violência e pelo descaso. Alguém dirá ser legitima a liberdade de expressão do povo. Concordo, claro. Mas não é legítimo o aviltamento do ser humano.
Outros dirão ser a exploração do homem exatamente aquilo que a classe política faz com o povo. Nesse caso, porém, se pensarmos na democracia enquanto poder político, poderíamos fazer a seguinte pergunta: quem é o eleitor do representante político? Esta seria a questão fundamental a meu ver, mas a maioria do povo brasileiro acaba se esquecendo de que é ela que define seu futuro nas urnas eleitorais!
Pois bem, a transformação das
mentalidades e dos comportamentos humanos quase sempre é atribuída à educação escolar
sistematizada. Todavia a escola, hoje, apresenta tantas semelhanças com um
estádio de futebol, tantas... que não
tenho medo de dizer que uma parte dos educadores e das educadoras preferiria
ficar em suas casas para ter respeito e dignidade. Obviamente, não é um desejo
deliberado, e sim, um distúrbio sintomático de uma vida profissional pouco
valorizada.
Depois dessa péssima experiência
vivida na abertura da Copa, a presidente Dilma e toda a classe política
deveriam repensar o modelo educacional brasileiro. Reitero, todavia, meu
repúdio ao modo como foi tratada. Reitero que educadoras e educadores são
muitas vezes ofendidos assim em sala de aula. Reitero que povo e classe política
terminam sendo um corpo singular e uno, mas sem consciência reflexiva num
contexto como esse.
Portanto, é preciso dizer que a “política do pão e do circo” deve ser revista e, sobretudo, repudiada. Além disso, o comportamento dos sujeitos sociais não deve, numa democracia (ainda que no papel), corresponder a uma ação teatralizada, desmedida e jocosa – sem objetivo nenhum, senão o de ferir a dignidade humana. Na maioria das vezes, os fins não justificam os meios. Educar é preciso.
Portanto, é preciso dizer que a “política do pão e do circo” deve ser revista e, sobretudo, repudiada. Além disso, o comportamento dos sujeitos sociais não deve, numa democracia (ainda que no papel), corresponder a uma ação teatralizada, desmedida e jocosa – sem objetivo nenhum, senão o de ferir a dignidade humana. Na maioria das vezes, os fins não justificam os meios. Educar é preciso.
Edemir
Fernandes Bagon
quinta-feira, 12 de junho de 2014
sábado, 7 de junho de 2014
sábado, 24 de maio de 2014
sexta-feira, 23 de maio de 2014
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