Amanhecer no Horizonte é um blog de poesias, microcontos, artigos e reflexões escrito por Edemir Fernandes Bagon, onde o cotidiano, a memória e os afetos ganham voz em textos intensos e humanos.
domingo, 30 de maio de 2010
Transformação
Transformação
vivi inteiramente o passado da longínqua história do homem
vivi a angústia do mundo todo
e assim se me deu a tranformação
o que ninguém é capaz de peceber
é que já não há rimas no final do corredor
e no filme coexistam dois mundos
duas pessoas apaixonadas pela vida
enquanto uma vive para si e
a outra para o mundo
Dois estranhos capazes também de odiar
já não quero ter o tempo
já não desejo o desejo de ter
porque sou um outro semelhante ao carneiro.
[Edemir Fernandes Bagon]
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Vontade e representação
Que importam as representações
Se foram elas inventadas pelo desejo?
As mãos se curam [a si mesmas]
E o sonho compreende a vida.
É tão-somente isso.
Porque a vontade liberta aquilo que não se sonha mais.
Quase o sublime perdido como o sol que se põe no mundo.
E ele não se representa [a si].
É o mundo que o inventa enquanto ser.
[Edemir Fernandes Bagon]
Se foram elas inventadas pelo desejo?
As mãos se curam [a si mesmas]
E o sonho compreende a vida.
É tão-somente isso.
Porque a vontade liberta aquilo que não se sonha mais.
Quase o sublime perdido como o sol que se põe no mundo.
E ele não se representa [a si].
É o mundo que o inventa enquanto ser.
[Edemir Fernandes Bagon]
sábado, 22 de maio de 2010
Fingir
Numa palavra ou em qualquer palavra
Escrever é lembrar do passado
Agora ou talvez
Ou tudo ou nada
Esquecer é fingir não lembrar.
Edemir Fernandes Bagon
domingo, 9 de maio de 2010
Dicotomia
Obscuramente, não vos pertenço.
Nem ao sonho,
Nem à vida...
Cantem aos mortos, meus inimigos verdadeiros,
Pois dentro de cada um de nós há o silêncio de um passado inteiro.
Viajantes, por que vos calais para tudo?
O gosto pelas nuvens e pelas montanhas e pelas estradas do espírito
Não é o mesmo que descobre o estranho vício da existência sobre-humana?
Assim que o Tempo terminar o canto do coração,
Seremos mar...
Nascerá de vós, amigos falsos, um filho morto e todo salmo virá à alma para encantar toda forma...
Talvez toda dúvida e também toda partida ou toda a invenção de uma estrela caída.
O que importa ser num instante entrecortado no sempre,
Se podemos esperar pela Esperança montada num cavalo de prata...?
Somos rios imaginários
Somos conchas
Somos livros
Somos advérbios ambulantes...
[E Eco se deita sobre o espelho d'água para beijar Narciso]
Todo amor é fagogênico.
E silenciosamente todo amor descobre o sentido de suas próprias palavras
Quando não há palavras.
[não há mitos para o instante desenhado num céu quase de estrelas]
Claramente, vos perco - imagens tristes.
Agora, não preciso mais de vós ou de outrem.
Agora não me encontro mais no espelho à espera da Esperança.
Agora não mais sou Eco.
Agora redescubro o mar que fui inteiro
feito na lembrança
sem nenhuma linha
me dividindo ao meio
Pertenço a mim mesmo como pedra no fundo mágico de um rio perdido no horizonte.
[Edemir Fernandes Bagon]
Indagações
Por que a vida
Quase nunca é como a sonhamos?
Por que nossos sonhos, geralmente,
Não se realizam?
Por que temos que esperar
Quase sempre para sermos felizes?
Por que é tão complicado viver?
[Edemir Fernandes Bagon]
Quase nunca é como a sonhamos?
Por que nossos sonhos, geralmente,
Não se realizam?
Por que temos que esperar
Quase sempre para sermos felizes?
Por que é tão complicado viver?
[Edemir Fernandes Bagon]
Revelação
ter sono
é bom para esquecer um pouco as mentiras da gente
e inventar sonhando a verdade
sem ter que fingir
apenas para ser aceito no rebanho de falsos cordeiros de Deus.
Edemir Fernandes Bagon
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Rosas
nem sempre é necessário olhar abismos a todo o tempo
existe a possibilidade de reencontrar aquela antiga rua feita de paralelepípedos e rosas
existe sempre uma chance de reconstruir a vida...
edemir fernandes bagon
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Severina
Estação de trem. Carapicuíba.
Severina estendeu-me o braço.
Queria ela saber onde estava o antigo prédio (...).
Fez um gesto e se dirigiu para o caminho da grande pedra.
Severina pegou o ônibus errado.
Eram quase três horas da tarde.
Descrevia-lhe tudo ao redor: calçada, banco, faixa, semáforo...
Eu a deixei diante do prédio antigo.
Retornei a casa e não quis mais me ver ao espelho.
[Edemir Fernandes Bagon]
Severina estendeu-me o braço.
Queria ela saber onde estava o antigo prédio (...).
Fez um gesto e se dirigiu para o caminho da grande pedra.
Severina pegou o ônibus errado.
Eram quase três horas da tarde.
Descrevia-lhe tudo ao redor: calçada, banco, faixa, semáforo...
Eu a deixei diante do prédio antigo.
Retornei a casa e não quis mais me ver ao espelho.
[Edemir Fernandes Bagon]
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