quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Germinar


Aqui e ali
Deixaram que tudo de nojento
Viesse e tomasse conta da História

Tomaram por vontade própria o Destino
E acabaram com a beleza que havia no Princípio

E o que veio depois disso?
A hipocrisia.

No entanto,
Nascemos para tocar as estrelas que parecem ficar perto do rio
Nascemos para ler os escritos deixados pelas borboletas.

edemir fernandes bagon

sábado, 25 de dezembro de 2010

Retrato





somos desertos
retração de sentidos
inflação de paixões
desmentidas

téoricas verdades
divertidas
somos sempre pôr-do-sol



edemir fernandes bagon



sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Ocaso

E ele entrou naquele ônibus por acaso. Decidiu sentar-se naquele banco quase que por vontade. Sentiu um vento passa por entre seus dedos, vindo de um vazio do mundo.

Sentiu-se só diante de todas aquelas pessoas que o viram chegar com sua pele escura.Teria o que para fazer de si mesmo? Por instantes se iludira.

Tempo vindo e indo. Gosto triste. Alegria de ser um pouco de tudo no seu traje deselegante. Ia desistindo de sua inexistência em cada parada  da viagem. 

Os segundos se faziam um pouco mais demorados. Quis descer perto do Mercado Municipal, mas acabou seguindo outro destino. Sem ter a consciência de nada,  a tarde passou.

Em um  desejo, imaginara seu corpo dividido: uma parte dormia profundamente, enquanto a outra ficava assim como um pássaro voando sob o mar.

Vinda da rua, uma canção o fez lembrar de uma blusa vermelha. Instante da ausência de si. Seria mais se não fosse sua chegada ao lugar onde novamente sentiria aquele vento por entre seus dedos.

Corpo inteiro unido aos ouvidos e olhos. Havia medo, porém um medo estranho que não permitia a sua voz escandir os versos de sua vida e que desobedecia o paradigma do destino. Com  seus olhos traduzira o mundo e fizera um gesto simples com a mão.

No caminho de volta para casa, sentou-se no mesmo banco de ônibus e procurou em seu olhar aquele instante. Procurou em seu corpo e  na própria vida. Diante de todos... continuava semelhante. E o mundo não lhe causava mais estranheza nenhuma.

Seu mundo e de todos os outros recompostos à alma. Tripartidos e consubstanciados. Rindo da imensidão do acaso.

Reacendeu-lhe a vontade de viver. 
Tempo vindo e indo. Tempo indo e vindo.

De repente, no meio da rua e com uma caixa nas mãos, uma moça de olhos brilhantes (usando uma blusa vermelha) apareceu diante dele e de seus instantes.

Permanecera imóvel em seu riso unido aos olhos. 
E aquela música se fez continuar para sempre em sua saudade.


edemir fernandes bagon

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Medievo

I

feição de moça triste no campo sob o estranho céu de Deus
descida de todos os anjos que espreitavam um canto antigo da memória
num  balaústre delineado no amplo território do espírito

II

bem ao fundo
uma parede branca
com armário embranquecido
e no eterno uma cantiga medieval

III

não ao tempo e ao mistério
morte da angústia e da cegueira
abram-se os montes das oliveiras com as mãos
com as vísceras
com a carne

IV

no espelho do quarto
esteja esperando a vez de partir
fique  esperando a vez de sonhar
com o corpo feito de rosas
com cabelos de flores
com dores nos dentes

V

termina a vida com uma canção nos lábios
seja a partida e o sonho ao mesmo instante
sem repartir nada
deixe dois livros sobre a mesa
cinzas de cigarro pelo chão da casa
reivente um mito grego
em silêncio

VI

feição de moça triste nos campos sob o estranho céu de Deus.




edemir fernandes bagon

Notícia

Anúncio de jornal: vende-se amor.

edemir fernandes bagon

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Chácara de Cajamar

Descansa tranquilamente, pai.


Porque a vida ainda está triste.

Não tenha pressa nenhuma em partir,
                                                       porque a saudade é como gota de chuva que não preenche nunca  o vazio do mundo.

Seja o canto das formas circulares para que eu o procure em minha vida toda

Para que eu compreenda o erro conceptual da linguagem

Para que a verdade eu encontre nas ideias e imagens



Se fossem meus os instantes, eu os entregaria para sempre

Se fossem minhas as histórias, deixaria apenas o fim para te contar os feitos heroicos

Se me fosse dada a escolha de viver outra vez,

Eu seria a sua voz grave para me chamar de filho

E sentarmos na calçada e vermos a chuva triste ir embora



Pai, venha me ver porque continuo com os instantes em minhas mãos.

domingo, 5 de dezembro de 2010

riso, rios, céus de prata

livremente caminhar
para dentro do coração
com armas em punho

descer ao inferno
com um sorriso irônico
e mentir com uma rosa na boca

por entre os dedos
e dentro dos olhos
um escudo de bronze

cintilam estrelas
folhas de prata
nos cantos do céu

e, por fim, um rio
com horas no fundo
peixes boiando com câncer

existirá sentido nas cores da realidade?

tempo fora do corpo
espaço dentro da alma
pelos poros interagir
descolorindo as palavras.


edemir fernandes bagon

Island

The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...