domingo, 7 de julho de 2013

Atávico

...e o mundo vai reconstruindo suas velhas histórias de desigualdade e violência.

Edemir Fernandes Bagon

sábado, 6 de julho de 2013

Relativização da Realidade

meu amor foi mais bonito que o de francesca e paolo
mais intenso que o de romeu e julieta
mais encantador que o de peri e ceci
mais intransitivo do que o de carlos e fräulein
porque foi meu simplesmente meu

edemir fernandes bagon

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Ontologias


Encontra a parte que te falta para ser ontologicamente inteiro. Eu compreendo o quanto isso é difícil. Afinal, a vida é tão cheia de lacunas e distanciamentos. São inúmeras as escolhas possíveis e, também, inimagináveis as possibilidades determinadas pela inconstância dos sonhos. No entanto, existem formas para ser pleno se compreenderes a importância de olhar sempre para as coisas vivificadas pelo instante. De tudo aquilo que tens sonhado, pensado e desejado, procura pelo instante tirado do tempo (e que te foi dado para sempre) como a última forma de existência. O que fica na memória de tua alma é o instante. O olhar, o toque, a virtude e o mistério vão assim compondo tua essência de maneira que todas as distâncias passem a ser vistas de todos os pontos do mundo. E, com efeito, a parte perdida outrora será novamente tua. Por entre as lacunas de toda a vida há caminhos. Todo destino é um apanhado de instantes encontrados.

Edemir Fernandes Bagon

terça-feira, 2 de julho de 2013

segunda-feira, 24 de junho de 2013

A canção de Cristo

Seria humanamente aceitável o erro diante da vida
Se não fossem as doutrinas morais carregadas de rancor

Apesar disso, as folhas caídas das árvores silenciosamente se transformam
E  também as nuvens se dissipam sem nenhum sentimento de culpa ou de saudade

Seguem os rios as margens daquilo que são verdadeiramente
Com a força e a serenidade dos que são justos com o tempo

Na última ceia de Cristo
Judas ouviu uma canção de amor

Edemir Fernandes Bagon

sexta-feira, 21 de junho de 2013

A Revolta das Tarifas


Pelo fim das regalias da classe política do país!
Abaixo seus altos salários!
Pelo aumento de sua jornada de trabalho!
Pelo fim de seus auxílios pecuniários e vergonhosos!
Pela diminuição do número de parlamentares!
Pela extinção da “carteirada”, da barganha em votações, do tráfico de influência!
Pelo fim da verba indenizatória mensal !
Pela extinção do auxílio-moradia de R$ 4,3 mil e do direito a carro oficial com motorista!

Abaixo a verba de gabinete , passagens e uso de telefone celular ilimitado!
Pelo fim do direito ao “cotão” dos deputados federais!!
Pelo fim do direito a foro privilegiado!
Abaixo 14. º salários de 16.500 reais ao ano de deputados e senadores!

Viva a Revolta das Tarifas!

Edemir Fernandes Bagon

Encanto


Eu não me calo dentro de mim
Converso com meu coração
Coisas que só eu mesmo compreendo
Revelo a mim mesmo a minha essência e o meu desejo
Construo e invento objetos que sou
Me afirmo e me nego como quero

Dentro de mim o sonho e suas formas escrevem poemas
Espero pelo Tempo com paciência
Sento-me diante dos meus olhos
Com a mesma simplicidade de menino
Ainda que eu seja por fora um outro bem distante

Não me calo por dentro porque não sou governo
Não me calo por dentro porque não sou escravo
Não me calo por dentro porque não sou espelho
Não me calo por dentro porque não sou sozinho

O silêncio me encanta lá fora.

Edemir Fernandes Bagon





sexta-feira, 14 de junho de 2013

Urgência



Depois me diz como ter amor em tempos de cólera. 
Por agora, me escreva apenas 
Como ser em tempos de solidão.

Edemir Fernandes Bagon

domingo, 9 de junho de 2013

Órion




Caberia ao Tempo seguir pelas ruas esperando por Deus

Talvez seja necessário desistir de algumas cores encontradas nos sonhos

O que sentir para não ser esquecido?
O que dizer para ser aceito?

Como ser uma estátua-símbolo do não-ser?

Interpretando papéis secundários num mundo de estranhos protagonistas?
Confiando na maldade do próximo?
Atribuindo a si mesmo uma grandiosidade fingida?
Falando do paraíso sem acreditar em nada?

Seria fácil fechar os olhos diante daqueles que dormem em velhos casarões postiços
Fácil esquecer dos que não compreendem com clareza
E duvidar dos egoístas suicidas

O Tempo, esperando por Deus, vocifera (com uma harpa nas mãos):
                                             O céu insiste em descansar sobre o mal.


Edemir Fernandes Bagon

quarta-feira, 5 de junho de 2013

As vias

Os olhos não sabem para onde ir porque a alma é livre. Por isso as ruas guardam, em segredo, todos os destinos.

edemir fernandes bagon

Desconfiguração

Estranho que tenhamos vivido por muito tempo juntos e sequer nos vimos.

edemir fernandes bagon

Orvalho

Viu nas folhas de uma orquídea o orvalho. Sentiu sua condição diante da vida. Orvalhou-se.

edemir fernandes bagon

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Desvio


Prefiro ser livre 
do que ter a história de minha vida 
sob o domínio de imagens 
daquilo que nunca fui
ou tenha desejado


Edemir Fernandes Bagon

Do tecnicismo à globalização: letramentos virtualmente conhecidos

Edemir Fernandes Bagon


Com a globalização, a necessidade de comunicação e de informação em tempo real tornou-se um imperativo nas relações humanas. Tal exigência evidencia-se no modo como a linguagem contemporânea é empregada na vida cotidiana das pessoas. A linguagem é um reflexo dessas transformações socioculturais.

Hoje, o internetês configura-se numa forma de organização do discurso que atende aos anseios de milhões de pessoas em todo o mundo. É usado em diferentes suportes (MSN, Facebook, Twitter, Orkut) conforme a necessidade do usuário (bate-papo, comunidade, trabalho, entre outros). No entanto, seu registro de natureza informal e dinâmica tende a se afastar dos padrões estabelecidos pela Gramática tradicional. 

Com efeito, os tradicionalistas afirmam amiúde que o uso do internetês é uma das causas da falta de domínio e de conhecimento da norma culta da linguagem. Nessa concepção, os novos letramentos caracterizam-se como inadequados ao processo de ensino e aprendizagem da língua materna.

Depois da aplicação do modelo tecnicista de educação formal (Lei 5.692/71), observado durante o Regime Militar, e o enfoque procedimental dado pelas propostas curriculares elaboradas nos anos 80, com a redemocratização do país, muito se discutiu a respeito dos efeitos dessas políticas públicas já sob impacto da nova ordem mundial, nos anos 90: globalização e neoliberalismo. Em conseqüência disso, a temática fundamental dos novos tempos ficou sendo a qualidade total versus quantidade.

De toda forma, o ensino da língua portuguesa nas escolas pressupõe um novo olhar dos professores, principalmente, para o modo como os educandos interagem com o mundo. Isso implica, portanto, rever práticas excludentes e/ou tradicionais – cristalizadas ao longo da história – em favor de certos letramentos significativos atualmente, dentre eles, o uso do internetês em sala de aula.

Em outras palavras, é preciso reconhecer o fato de que se trata de um tipo de linguagem na qual são utilizados recursos de expressão oral, de escrita alfabética, de ideogramas, de pictogramas; e, sobretudo, exige do sujeito da enunciação a capacidade linguística de análise e reflexão. 

Uma escola voltada para o futuro e para a democracia não pode ficar presa num passado de práticas preconceituosas acerca da linguagem de sua clientela. Ela não deve ensinar apenas sujeito e predicado, tampouco apenas redação ou produção de texto. Mas revelar o funcionamento da linguagem, seus processos e mecanismos de construção da vida encontrada em todos os lugares - virtualmente conhecida por boa parcela da população e que não pode ser discriminada.

Island

The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...