Espera o tempo
Espera até a saudade virar fotografia
Caminha pelas ruas em sentido horário
Contempla a vida quando vier o outono
Reescreva a história na condição de sujeito
Compreenda a plenitude e a ausência
Desfaça os planos
Escreva nos muros poemas de amor
Separa o joio do trigo com justiça
Procura o ser desabrigado do corpo
Esconda cinzas jogadas em cantos da casa
Inventa um mundo
Navega pelos mares da cor dos teus sonhos
Usa a palavra para encantar os olhos
Contempla a beleza do que julga ser
Aceita a perfeição daquilo que não é
Seja um verso em construção perene
Espera o tempo
Edemir Fernandes Bagon




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