Amanhecer no Horizonte é um blog de poesias, microcontos, artigos e reflexões escrito por Edemir Fernandes Bagon, onde o cotidiano, a memória e os afetos ganham voz em textos intensos e humanos.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
Sophia de Mello Breyner Andresen: espiritualidade e religiosidade
Pudesse Eu
Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordantes
Para poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes!
Sophia de Mello Breyner Andreson
(Poesia, Antologia - Moraes Editores, 1970)
Códigos
escrevo para me encontrar
no tempo
para nascer e ser
ficar livre]
escrevo para ter a mim mesmo de volta
e ser mais verdadeiro comigo]
escrevo para sentir
e compreender a vida]
(mundo de palavras que não são escritas esperando sua voz e seu olhar e seu corpo)
Edemir Fernandes Bagon
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Cinema Paradiso
resta ainda um pouco do que fomos?
eu já nem sei se pensa o mesmo
eu já nem sei se ainda sente o mesmo
eu também já não sei se eu sou o mesmo
se eu sinto o mesmo
no entanto
de repente
vem-me uma saudade tão grande depois de ver um filme de amor
Edemir Fernandes Bagon
sábado, 4 de janeiro de 2014
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
Oceanografia
Perceber o que somos
Talvez não seja tão difícil assim
É muito mais complicado aceitar o que nos transformamos
Edemir Fernandes Bagon
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Taste
É tão pouco o que as formas trazem
Assim perto do que os olhos sentem
Seriam instantes inventados ontem?
Seriam partes silenciadas para sempre?
Ainda que sejam livres os que sonham
Ainda que sejam fortes os que amam
Ainda que sejam plenos os vazios
Ainda que sejam distantes as histórias
É tão pouco o que dizem as formas para os olhos.
Assim perto do que os olhos sentem
Seriam instantes inventados ontem?
Seriam partes silenciadas para sempre?
Ainda que sejam livres os que sonham
Ainda que sejam fortes os que amam
Ainda que sejam plenos os vazios
Ainda que sejam distantes as histórias
É tão pouco o que dizem as formas para os olhos.
Edemir Fernandes Bagon
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Tempo
A gente, no entanto, caminha no tempo.
Para onde? Não sei.
Nem sempre é possível ter de volta o ontem.
Nem sempre é possível reescrever.
Edemir Fernandes Bagon
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Abrigo
Se fosse possível compreender todas as coisas
Se fosse possível entender todos os homens
Se fosse possível aceitar o que somos
Se fosse possível sermos livres esperando amanhecer
Se houvesse caminhos e destinos escritos no chão
Se fossem inocentes todos os medos
Se longe chegasse qualquer pensamento
Se todos os segundos se tornassem poemas
Se todos os cantos fossem abrigos antigos
Se...
Edemir Fernandes Bagon
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
Cartas Comerciais
Prezado Coração,
Considerando que consta ausência de situações de verdadeira reciprocidade em suas relações amorosas idealizadas, vimos convidá-lo a ajustar-se de maneira adequada diante dessas pendências a fim de evitar restrições ao seu crédito inerente à Razão.
Havendo interesse em solucionar a questão de forma rápida e relativamente amigável, colocamo-nos à inteira disposição para esclarecimentos. É importante lembrá-lo que, em tempos modernos, o amor já não é mais um bem de raiz e tende a desvalorizar-se.
Caso já tenha regularizado seu atraso, pedimos que não desconsidere este aviso.
Atenciosamente,
Edemir Fernandes Bagon
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
Encantamentos
Tenha em suas mãos
O encanto do mundo
Desfaça das coisas porque elas nada sentem
Vez por outra
Calcule a validade do discurso comparando a forma e seu conteúdo
Às vezes, melhor ser simplesmente
sem que nada mais possa mensurar a ponto de trocar sua interioridade
Seria sempre o lado mais sensível a perder
Não fale
Há situações em que não existe necessidade de parecer ser
mesmo que as palavras tenham vida própria
Toque o moinho de vento com a ponta dos dedos
Acaricie as moedas sobre a mesa
Sê uma estrutura fictícia de acordo com sua necessidade
Mas se não for
Destrua os plásticos
Rasgue o sono
Desfigura a solidão com todas as letras
Quando se for
escreva sua mais bonita história de amor.
Edemir Fernandes Bagon
O encanto do mundo
Desfaça das coisas porque elas nada sentem
Vez por outra
Calcule a validade do discurso comparando a forma e seu conteúdo
Às vezes, melhor ser simplesmente
sem que nada mais possa mensurar a ponto de trocar sua interioridade
Seria sempre o lado mais sensível a perder
Não fale
Há situações em que não existe necessidade de parecer ser
mesmo que as palavras tenham vida própria
Toque o moinho de vento com a ponta dos dedos
Acaricie as moedas sobre a mesa
Sê uma estrutura fictícia de acordo com sua necessidade
Mas se não for
Destrua os plásticos
Rasgue o sono
Desfigura a solidão com todas as letras
Quando se for
escreva sua mais bonita história de amor.
Edemir Fernandes Bagon
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
Espelho
Mariana estava completamente perdida. Tinha poucos amigos. O trabalho não era aquilo que havia sonhado quando jovem. Amargava no espelho seus dias e, por pouco, não deixava a vida numa carta sobre a mesinha da sala.
Uma noite, porém, encontrou Tiago. Jovem, bonito e inteligente.
Embora tivesse recebido das amigas alguns conselhos (...), ela o quisera como nunca.
Embora tivesse recebido das amigas alguns conselhos (...), ela o quisera como nunca.
Todas as coisas não vividas num desejo retórico de peles linguísticas.
Caíram as folhas nas ruas, vieram as flores.
Tiago no tempo tornou-se memória.
Caíram as folhas nas ruas, vieram as flores.
Tiago no tempo tornou-se memória.
E Mariana sentiu-se no espelho.
Edemir Fernandes Bagon
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Implícitos
meus olhos escrevem no mundo
tantas coisas
..............................................
tantas coisas
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edemir fernandes bagon
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Island
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