Amanhecer no Horizonte é um blog de poesias, microcontos, artigos e reflexões escrito por Edemir Fernandes Bagon, onde o cotidiano, a memória e os afetos ganham voz em textos intensos e humanos.
quarta-feira, 19 de março de 2014
Morro da Congonha
considere que a vida não seja um encontro mitológico do mar e da terra diante do olhos
que nem mesmo o amor tenha sido o princípio de discursos apostólicos
nem banquetes pagãos
caminhos estreitos da alma guardam flores esperando por frutos
destinos trilhos e montanhas sob pés humanos e corpos alados
para que nos servem as mãos se aquilo que carregamos são valores invisíveis
logotipos pintados nos céus em forma de armas
placas de igrejas declaradas em formulários da fazenda
sejam faustos ou poetas ou doutores
desígnios versos e títulos
mortes esculpidas na areia
caminhantes nus arrastados no asfalto
retirem os símbolos que dão ao ser
o que nos resta ainda senão os sonhos desfeitos
o que nos resta ainda senão contar os dias passados
o que nos resta ainda? aceitar? lutar? contra quem?
Edemir Fernandes Bagon
domingo, 16 de março de 2014
Nuvens
Sinos desenhados no céu
Nuvens em forma de gente
[E o coração vai assim tão longe como pensamento]
Nuvens em forma de gente
[E o coração vai assim tão longe como pensamento]
Edemir Fernandes Bagon
quinta-feira, 6 de março de 2014
Facilities
§ caminho por entre as coisas que delineiam meus sentidos
não por acaso seus olhos me veem como conversa de amigos antigos
não por acaso suas mãos me sentem como meninos diante do mundo
não por acaso vejo e escuto seu espírito cantando para as flores
descansa entre quadros pintados por Goya
versos inversos incompreendidos de Lorca me encontram na memória das
ruas
§ caminho por entre as coisas que delineiam a vida
(ser livre é muito mais simples do que amar)
Edemir Fernandes Bagon
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Plásticos
eu me encontro
com o tempo
eu me descubro
em nome do instante
eu me entrego
eu me guardo
sendo livre
eu me vejo
por palavras
eu me escrevo
eu me prendo
nos seus olhos
eu me coloco
no passado
eu me invento
no inverno
eu me perco
edemir fernandes bagon
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
Separação
Algumas horas depois, Viera telefonou para dizer que passaria em casa, a fim de "pegar as coisas que ficaram".
Estela ficou em silêncio, ouvindo apenas.
Silêncio que percorrera seu mundo.
Silêncio que chegara à porta dos fundos e que se estendeu sobre os móveis e as roupas que ficaram.
Ela caminhou até a janela e simplesmente passou a olhar as coisas da rua da frente de sua vida.
Quis compreender.
Quis aceitar o que não podia.
Quis esquecer para ser.
.
Estela ficou em silêncio, ouvindo apenas.
Silêncio que percorrera seu mundo.
Silêncio que chegara à porta dos fundos e que se estendeu sobre os móveis e as roupas que ficaram.
Ela caminhou até a janela e simplesmente passou a olhar as coisas da rua da frente de sua vida.
Quis compreender.
Quis aceitar o que não podia.
Quis esquecer para ser.
Edemir Fernandes Bagon
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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
Batellerie
Já não me encontro mais por entre as palavras
Nem mesmo no tempo
Nem mesmo na saudade
Talvez sejam imagens o que sinto no corpo
Talvez sintam as imagens o que não vejo no mundo
Ou ainda o tempo e a espera se confundam em cores
Somos barcos suspensos sobre o mar
Edemir Fernandes Bagon
[Van Gogh. Zeegezicht bij Scheveningen]
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
Sophia de Mello Breyner Andresen: espiritualidade e religiosidade
Pudesse Eu
Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordantes
Para poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes!
Sophia de Mello Breyner Andreson
(Poesia, Antologia - Moraes Editores, 1970)
Códigos
escrevo para me encontrar
no tempo
para nascer e ser
ficar livre]
escrevo para ter a mim mesmo de volta
e ser mais verdadeiro comigo]
escrevo para sentir
e compreender a vida]
(mundo de palavras que não são escritas esperando sua voz e seu olhar e seu corpo)
Edemir Fernandes Bagon
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Cinema Paradiso
resta ainda um pouco do que fomos?
eu já nem sei se pensa o mesmo
eu já nem sei se ainda sente o mesmo
eu também já não sei se eu sou o mesmo
se eu sinto o mesmo
no entanto
de repente
vem-me uma saudade tão grande depois de ver um filme de amor
Edemir Fernandes Bagon
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