Amanhecer no Horizonte é um blog de poesias, microcontos, artigos e reflexões escrito por Edemir Fernandes Bagon, onde o cotidiano, a memória e os afetos ganham voz em textos intensos e humanos.
quinta-feira, 9 de julho de 2020
quinta-feira, 2 de julho de 2020
sexta-feira, 26 de junho de 2020
Depois de amanhã
O que fazer com as nuvens molhadas no escuro? Como os anjos irão dormir agora?
Onde ficarão os sonhos sem o templo que é teu corpo?
Onde estarão os dias e as obras do Senhor?
《Os olhos permutam sensações com um coração translúcido》
Entre os lírios mágicos e o silêncio invasor dos campos
Existe um lago prateado de vida
Mas não o toco
Edemir Fernandes Bagon
domingo, 14 de junho de 2020
παράδεισος

aceite o tempo caminhando para longe
troque suas perdas por lembranças
pois de que seria o mundo feito
se deus tivesse, à imagem e semelhança de um cordeiro, seu final na infância?
afaste o que não é nada menos que desespero
e deixe o corpo sob um céu imaginário
Edemir Fernandes Bagon
sábado, 23 de maio de 2020
Big Bang
amor é antimatéria
[inverso do verso
é antiutopia
[cotexto relacionando um signo com outros signos
é inteiro
[mecanicamente quântico descrito no tempo
outrora um deus
[uma forma despida do espírito
outrora um princípio heisenberguiano
[um começo derradeiro
outrora um gosto sincero disfarçado
[um abraço de lábios amantes
_ reticências marcando encontros para sempre_
Edemir Fernandes Bagon
quinta-feira, 7 de maio de 2020
domingo, 3 de maio de 2020
Incógnita
mar de verdes olhos que ensinam ao tempo
amor vermelho dos cabelos de mulher-moça-menina
escorpião tocado pelos seios gêmeos
quadraturas de versos ascendentes em Libra e Áries
mãos em forma de vida e água e terra e ar
cantigas em todos os cantos do espírito
[presentes, sob forma única, na memória do destino.
ventre de cristal molhado de orvalho
vaso de amoreira dentro da pele branca
corpo encilhado no gosto da língua doce
palavras escritas nas paredes equivocadas de autores desconhecidos
imagens, em silêncio discursivo do desejo, sussurradas nos ouvidos
brincos de pérola deixados atrás dos sonhos
[sementes e frutos, tocados nus, adormecem sob a lua minguante.
Edemir Fernandes Bagon
terça-feira, 21 de abril de 2020
terça-feira, 7 de abril de 2020
Dourados
Desceu as escadas de sua casa com toda a poética de uma criança. Riscou o tempo com as mãos, trazendo as folhas de seu caderno no espaço. Deixou este nos degraus com suas letras e desenhos. Em seguida, pegou de uma só vez aquele brinquedo de rodas que estava sob a árvore do quintal. Um pé no pedal e o outro, também. Os olhos voltavam-se para o portão da frente da casa. Num esforço contínuo, realizou magicamente seu maior desejo naquele momento. Depois, deixara seu brinquedo no chão e abraçou seu caderno outra vez. Gritou pelas irmãs mais novas, pela mãe, pela tia e pelos avós (numa felicidade incontida, até mesmo, pelo céu dourado daquela tarde).
- Eu consegui! Parabéns pra mim!! Eu consegui, Vô! Aprendi a andar de bicicletaaaa! Uhuhuhuhu!
Edemir Fernandes Bagon
terça-feira, 24 de março de 2020
Introspecção
intangível o querer
intransponível a saudade
intramuscular o desejo
intransitivo o ciúme
interativo o silêncio
intermitente o passado
invertido o sinônimo
invertebrado o cansaço
inoperante o descaso
inofensivo o abraço
impuro o atraso
inválido o prazo
inalterado o quadro
inexata a solidão
indexada a memória
indivisível o sonho
Edemir Fernandes Bagon
quarta-feira, 4 de março de 2020
Nefelibata
deixo meu corpo num tanque cheio de espinhos
espero pela canção do mar
espalho sal nos olhos dos espíritos
e, nas ruínas do tempo,
permito que meus pés se afastem do deserto
por entre os vícios do mundo
e estátuas profanadas
[minhas cidades de vidro cortam o céu em pedaços]
antes de ser, meu não-ser brincava com as nuvens
Edemir Fernandes Bagon
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| By @diegoorigrafima |
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020
Máscaras
o mar descansa, pura e simplesmente, porque é da sua natureza esperar pelo toque das pedras
as incertezas compreendem a delicadeza da vida
a infância, guardada em silêncio, engana o corpo queimado pelo cigarro nas mãos
o espírito, dominado pelo horror da loucura, devora asas de anjos no escuro
virá na forma de chuva o deus salvador (?)
ter desfeito um dos nós do destino é ter a ferida aberta ou a dor mascarada (?)
Edemir Fernandes Bagon
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020
domingo, 2 de fevereiro de 2020
sábado, 28 de dezembro de 2019
Ceticismo
quinta-feira, 19 de dezembro de 2019
Céu
em tudo existe perda
para fora do espírito
na linha reta das planícies
no encontro das águas da chuva com os rios escuros
nas encostas sublimes das montanhas rosas
nas flores que nascem nos campos
nos filhos que não nos encontram
no passado eclesiástico do profano
são as horas estilhaçadas no vazio
os gritos desmedidos dos perdidos
os que abandonam nos acenos seus navios
os que enganam no seu teatro interior
Edemir Fernandes Bagon
para fora do espírito
na linha reta das planícies
no encontro das águas da chuva com os rios escuros
nas encostas sublimes das montanhas rosas
nas flores que nascem nos campos
nos filhos que não nos encontram
no passado eclesiástico do profano
são as horas estilhaçadas no vazio
os gritos desmedidos dos perdidos
os que abandonam nos acenos seus navios
os que enganam no seu teatro interior
Edemir Fernandes Bagon
terça-feira, 10 de dezembro de 2019
Teoria do Conhecimento
nada mais passou a ter importância diante do que sinto quando me encontro
perto de teu espírito
aninhado assim no teu corpo
atrelado nas palavras da tua boca
decerto
nada mais passou a ter sentido
para entregar em teu nome
a minha memória
como uma rubrica
ou uma forma esculpida na terra por formigas que fogem da chuva
eu me encanto apenas porque me tens para sempre
e te espero com a certeza da vida desse lado de dentro do mundo
onde o amor não precisa de fórmulas químicas, nem de física ou matemática
Edemir Fernandes Bagon
quinta-feira, 28 de novembro de 2019
Perto do Portão da Escola
ali, deixado para sempre,
espero
encosto os dedos em seu ventre
para nascer de novo
toco meus lábios em seus lábios
para viver
seguro em suas mãos para o destino
ser uma certeza em mim
espelha-se em seus os meus olhos
para não me perder em tanto amor
[perto do portão da escola]
Edemir Fernandes Bagon
domingo, 10 de novembro de 2019
"I never left you"*
Era um dia encantado
[desses em que germinam sementes
e nascem flores do campo.]
Ali, pertinho do coração, a mãe abraçou o filho.
O corpo macio zelava o espírito e
as palavras vieram para acalentar o mundo.
- Eu te amo para sempre, Gui.
E o menino, como que encantando o tempo, reinventou o sonho:
- Eu te amo desde o passado.
Edemir Fernandes Bagon
*Verso da canção "Mother", de John Lennon.
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