terça-feira, 14 de maio de 2013

Mar e travessia

                            Pois aquilo que é ilimitado em vós habita a mansão  do céu, cuja porta é orvalho da     manhã,  e cujas janelas são as canções e o silêncio da noite.  
(Khalil Gibran)


em todo o tempo
encontro a vida
(ainda que as formas sejam puramente lembranças)

em todo o tempo
a vida me encontra
(ainda que meramente ao acaso
para me ver livre do passado)

em todo o tempo
o eu se disfarça para simplesmente continuar amando
(porque não há descanso para espíritos inquietos)

em todo o tempo a saudade inventa
monólogos e diálogos por entre os instantes
como se nada existisse
como se os álbuns de fotografia fossem feitos com vida de verdade

por alguma razão o tempo não passa para os que sonham
por alguma razão ficam as árvores no lugar dos museus
por alguma razão o destino não fala como as mãos e os olhos
por alguma razão a solitude se transforma em alegria

não compreendo a vida, mas posso senti-la.

edemir fernandes bagon

sexta-feira, 10 de maio de 2013

terça-feira, 7 de maio de 2013

Múltiplos

Meu espírito te quer tanto que se torna carne por vezes sem pensar.


edemir fernandes bagon

Cantiga de Amigo do Século XXI


meu mundo eu te entrego com todo amor

para não  esquecer que sou tua 

minha estranha alma te acalenta 

talvez por sentir que encontra em ti o mar 

distanciam-se o vento e a areia 

assim como caem os brancos cabelos sobre o encanto da velhice do corpo

não encontro nada se não me gritares pelos céus

meus caminhos se abrem em um ponto de fuga qualquer

inversamente me inspiram  os versos  que bailam no ar  ou em minhas mãos

meu mundo eu te entrego com todo amor

para não  esquecer da vida

para não  esquecer que sou tua


edemir fernandes bagon

Mutante


Desenhe a vida conforme o tempo. As estações retornam sempre.


edemir fernandes bagon

Longitude

Eu espero. É perfeitamente possível esperar o amor ainda que ele não saiba...

edemir fernandes bagon

sábado, 27 de abril de 2013

quinta-feira, 25 de abril de 2013

sábado, 20 de abril de 2013

IL Postino


Violência






para remover do caminho os falsos encantos
destituir do poder os homens podres sentados
despir a fraqueza dos horrores do mundo
seduzir as virgens impuras com pupilas dilatadas


seguir em frente com mãos repletas de barro
saciar o corpo com bolor de pão
deixar as formigas andarem sobre os restos no chão
secar as feridas abertas da pobreza nas valas

violência
violência violência
violência

jovens mudos caídos calados nos becos
fogueiras metais e mortos nas ruas
palavras mortas faladas nos cantos
capas e revistas e jornais em salas iluminadas

assassinatos e sangue nos quintais
desordenadas as vozes que os mistérios trazem
coordenadas as mortes que os partidos dizem
visionários hipócritas de massacres feitos

de repente o tempo se cansa e não volta mais
de repente o tempo se cansa e não volta mais
de repente



Edemir Fernandes Bagon




Island

The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...