Amanhecer no Horizonte é um blog de poesias, microcontos, artigos e reflexões escrito por Edemir Fernandes Bagon, onde o cotidiano, a memória e os afetos ganham voz em textos intensos e humanos.
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Plásticos
eu me encontro
com o tempo
eu me descubro
em nome do instante
eu me entrego
eu me guardo
sendo livre
eu me vejo
por palavras
eu me escrevo
eu me prendo
nos seus olhos
eu me coloco
no passado
eu me invento
no inverno
eu me perco
edemir fernandes bagon
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
Separação
Algumas horas depois, Viera telefonou para dizer que passaria em casa, a fim de "pegar as coisas que ficaram".
Estela ficou em silêncio, ouvindo apenas.
Silêncio que percorrera seu mundo.
Silêncio que chegara à porta dos fundos e que se estendeu sobre os móveis e as roupas que ficaram.
Ela caminhou até a janela e simplesmente passou a olhar as coisas da rua da frente de sua vida.
Quis compreender.
Quis aceitar o que não podia.
Quis esquecer para ser.
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Estela ficou em silêncio, ouvindo apenas.
Silêncio que percorrera seu mundo.
Silêncio que chegara à porta dos fundos e que se estendeu sobre os móveis e as roupas que ficaram.
Ela caminhou até a janela e simplesmente passou a olhar as coisas da rua da frente de sua vida.
Quis compreender.
Quis aceitar o que não podia.
Quis esquecer para ser.
Edemir Fernandes Bagon
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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
Batellerie
Já não me encontro mais por entre as palavras
Nem mesmo no tempo
Nem mesmo na saudade
Talvez sejam imagens o que sinto no corpo
Talvez sintam as imagens o que não vejo no mundo
Ou ainda o tempo e a espera se confundam em cores
Somos barcos suspensos sobre o mar
Edemir Fernandes Bagon
[Van Gogh. Zeegezicht bij Scheveningen]
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
Sophia de Mello Breyner Andresen: espiritualidade e religiosidade
Pudesse Eu
Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordantes
Para poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes!
Sophia de Mello Breyner Andreson
(Poesia, Antologia - Moraes Editores, 1970)
Códigos
escrevo para me encontrar
no tempo
para nascer e ser
ficar livre]
escrevo para ter a mim mesmo de volta
e ser mais verdadeiro comigo]
escrevo para sentir
e compreender a vida]
(mundo de palavras que não são escritas esperando sua voz e seu olhar e seu corpo)
Edemir Fernandes Bagon
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Cinema Paradiso
resta ainda um pouco do que fomos?
eu já nem sei se pensa o mesmo
eu já nem sei se ainda sente o mesmo
eu também já não sei se eu sou o mesmo
se eu sinto o mesmo
no entanto
de repente
vem-me uma saudade tão grande depois de ver um filme de amor
Edemir Fernandes Bagon
sábado, 4 de janeiro de 2014
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
Oceanografia
Perceber o que somos
Talvez não seja tão difícil assim
É muito mais complicado aceitar o que nos transformamos
Edemir Fernandes Bagon
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Taste
É tão pouco o que as formas trazem
Assim perto do que os olhos sentem
Seriam instantes inventados ontem?
Seriam partes silenciadas para sempre?
Ainda que sejam livres os que sonham
Ainda que sejam fortes os que amam
Ainda que sejam plenos os vazios
Ainda que sejam distantes as histórias
É tão pouco o que dizem as formas para os olhos.
Assim perto do que os olhos sentem
Seriam instantes inventados ontem?
Seriam partes silenciadas para sempre?
Ainda que sejam livres os que sonham
Ainda que sejam fortes os que amam
Ainda que sejam plenos os vazios
Ainda que sejam distantes as histórias
É tão pouco o que dizem as formas para os olhos.
Edemir Fernandes Bagon
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Tempo
A gente, no entanto, caminha no tempo.
Para onde? Não sei.
Nem sempre é possível ter de volta o ontem.
Nem sempre é possível reescrever.
Edemir Fernandes Bagon
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Abrigo
Se fosse possível compreender todas as coisas
Se fosse possível entender todos os homens
Se fosse possível aceitar o que somos
Se fosse possível sermos livres esperando amanhecer
Se houvesse caminhos e destinos escritos no chão
Se fossem inocentes todos os medos
Se longe chegasse qualquer pensamento
Se todos os segundos se tornassem poemas
Se todos os cantos fossem abrigos antigos
Se...
Edemir Fernandes Bagon
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