quarta-feira, 26 de março de 2014

Graal

E a gente continua buscando sempre o que não se conhece. A gente vive procurando caminhos sem saber para onde vai.



Edemir Fernandes Bagon

quarta-feira, 19 de março de 2014

Beautiful Tango | Hindi Zahra

Gênesis

No princípio, eram o Verbo, você e eu. 
Você se fez carne. 
Então, a Luz desfez o que era Caos e me perdi outra vez.


Edemir Fernandes Bagon



Morro da Congonha



considere que a vida não seja um encontro mitológico do mar e da terra diante do olhos
que nem mesmo o amor tenha sido o princípio de discursos apostólicos
nem banquetes pagãos

caminhos estreitos da alma guardam flores esperando por frutos
destinos trilhos e montanhas sob pés humanos e corpos alados

para que nos servem as mãos se aquilo que carregamos são valores invisíveis
logotipos pintados nos céus em forma de armas
placas de igrejas declaradas em formulários da fazenda

sejam faustos ou poetas ou doutores
desígnios versos e títulos
mortes esculpidas na areia
caminhantes nus arrastados no asfalto

retirem os símbolos que dão ao ser
o que nos resta ainda senão os sonhos desfeitos
o que nos resta ainda senão contar os dias passados

o que nos resta ainda? aceitar? lutar? contra quem?


Edemir Fernandes Bagon








domingo, 16 de março de 2014

Nuvens

Sinos desenhados no céu
Nuvens em forma de gente

[E o coração vai assim tão longe como pensamento]


Edemir Fernandes Bagon




quinta-feira, 6 de março de 2014

Facilities


§ caminho por entre as coisas que delineiam meus sentidos

   não por acaso seus olhos me veem como conversa de amigos antigos
   não por acaso suas mãos me sentem como meninos diante do mundo
   não por acaso vejo e escuto seu espírito cantando para as flores

   descansa entre quadros pintados por Goya
   versos inversos incompreendidos de Lorca me encontram na memória das
   ruas

§ caminho por entre as coisas que delineiam a vida

  (ser livre é muito mais simples do que amar)


Edemir Fernandes Bagon








quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Caravelas




encontro caminhos
que desconheço

                       por entre nuvens diversas

me deixo desse lado

                     de corpo
inteiro
                      de outro
vazio


ainda procuro meu ser no mistério
ainda espero a chuva abrandar
talvez a vida me encante em silêncio
talvez o tempo me espere no mar



Edemir Fernandes Bagon

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Plásticos


eu me encontro 
com o tempo

eu me descubro
em nome do instante

eu me entrego

eu me guardo
sendo livre

eu me vejo 
por palavras

eu me escrevo

eu me prendo
nos seus olhos

eu me coloco 
no passado

eu me invento
no inverno

eu me perco



edemir fernandes bagon






sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Perfeição

por entre  céus
cantos e destinos

claras formas nuas
encontram amor

para sempre
num só corpo


Edemir Fernandes Bagon


 (Carlo Saraceni, Salmacis y Hermafrodita, h. 1608. Nápoles, Museo Nazionale di Capodimonte)




quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Separação

Algumas horas depois, Viera telefonou para dizer que passaria em casa,  a fim de "pegar as coisas que ficaram".
Estela ficou em silêncio, ouvindo apenas.
Silêncio que percorrera seu mundo.
Silêncio que chegara à porta dos fundos e que se estendeu sobre os móveis e as roupas que ficaram.
Ela caminhou até a janela e simplesmente passou a olhar as coisas da rua da frente de sua vida.
Quis compreender.
Quis aceitar o que não podia.
Quis esquecer para ser.


Edemir Fernandes Bagon


.

Vanessa Da Mata

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Batellerie


Já não me encontro mais por entre as palavras
Nem mesmo no tempo
Nem mesmo na saudade

Talvez sejam imagens o que sinto no corpo
Talvez sintam as imagens o que não vejo no mundo
Ou ainda o tempo e a espera se confundam em cores

Somos barcos suspensos sobre o mar


Edemir Fernandes Bagon





[Van Gogh. Zeegezicht bij Scheveningen] 



quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Sophia de Mello Breyner Andresen: espiritualidade e religiosidade



Pudesse Eu



Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordantes
Para poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes!



Sophia de Mello Breyner Andreson
(Poesia, Antologia - Moraes Editores, 1970)






Códigos


escrevo para me encontrar 
no tempo
para nascer e ser 

ficar livre]

escrevo para ter a mim mesmo de volta 
e ser mais verdadeiro comigo]

escrevo para sentir 
e compreender a vida]

(mundo de palavras que não são escritas esperando sua voz e seu olhar e seu corpo)

Edemir Fernandes Bagon




sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Cinema Paradiso


resta ainda um pouco do que fomos?

eu já nem sei se pensa o mesmo
eu já nem sei se ainda sente o mesmo
eu também já não sei se eu sou o mesmo
se eu sinto o mesmo

no entanto
de repente
vem-me uma saudade tão grande depois de ver um filme de amor




Edemir Fernandes Bagon


Island

The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...