O inteiro céu escrito em prateados ritos
Diante de todas as horas espelhadas
Os degraus
cinzas perpendiculares
O gosto das danças e das línguas nuas
O desejo contempla o tempo em suas mãos
O destino espera pelo jamais vivido
Edemir Fernandes Bagon
Amanhecer no Horizonte é um blog de poesias, microcontos, artigos e reflexões escrito por Edemir Fernandes Bagon, onde o cotidiano, a memória e os afetos ganham voz em textos intensos e humanos.
O inteiro céu escrito em prateados ritos
Diante de todas as horas espelhadas
Os degraus
O gosto das danças e das línguas nuas
O desejo contempla o tempo em suas mãos
O destino espera pelo jamais vivido
Edemir Fernandes Bagon
portão diante do muro da casa branca
e telhados colados nas folhas das árvores imaginárias
passos desencontrados que atravessam o destino cansado do mundo
céu vestido de rosa e de branco e azul translúcido:
para onde vai o sentido das formas das asas dos pássaros de cristais?
Edemir Fernandes Bagon
pensamento contido
nas linhas dos olhos
formas incompletas
barcos e navios ancorados no cais
Edemir Fernandes Bagon
BARCOS Ancorados. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira.
de onde as pedras vermelhas e cinzas [erguidas em silêncio] permanecem
das imagens encantadas pelo cinema falado em preto e branco
da travessia para o outro lado de dentro da vida
e do lado de fora de um antigo casarão que se avistava colado no céu azul
do sensível tecido de frio que me toca com as mãos os cabelos
na clareza dos olhos
o sentir tem a cor de entardecer
Edemir Fernandes Bagon
dentro de um corpo feito de barro a alma não cabe,
pois sentir é o fim que se desprende do tempo.
Edemir Fernandes Bagon
parte de mim é tua por inteiro
íntima
perene
vulnerável
espalhada em tuas águas entranhadas nas palavras estranhas
[ e nos círculos descritos em forma de mistérios
Edemir Fernandes Bagon
transliterado o tempo
o templo dos homens silencia
o tempo das rezas
o campo das guerras
as crianças que choram
os velhos que ainda cantam
as mulheres que sentem a despedida dos filhos
os pés descalços de um deus
os apátridas dos sonhos
os néscios da vingança
as traições vendidas
as moedas partidas
por entre os sicários do medo
desce o rio até o mar mais distante
cortam os fios de luz o vazio de dentro
e com as flores do clero antigo o trigo se espalha em terras secas
por onde vai o que se perde por ter sido amante da estupidez?
o que se encontra por fora do desejo falso da imagem de um mito desumano:
o canto de liturgia e o cálice elevados para o ego dos pastores políticos
[o corpo cingido com uma tolha limpa, mas com as mãos e os pés sujos]
ou
o fim em si mesmo, o próprio homem dissecado em sua própria memória e seu desejo de poder?
os templos silenciam.
(REMBRANDT. O BOI ESFOLADO – MUSEU DO
LOUVRE, PARIS, 1655. ÓLEO SOBRE MADEIRA, 94CM
X 69CM) |
"O que deseja saber, Sinédrio?"
"Deus prefere os ateus?"
Edemir Fernandes Bagon
por um não-sei-o-quê deixado
na memória
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a vida entardece diante dos olhos
Edemir Fernandes Bagon
O tempo delicadamente abraçava o tecido feito de espera
Terminado aquele ano, guardou na gaveta o antigo calendário. Em seguida, pôs-se a cuidar da casa. Limpara tudo e a alma. Depois, sentou-se no sofá colocado num canto perto dos livros (que seriam lidos ainda). Pensou na vida, no mundo, nas coisas perdidas com o tempo... e encheu-se de esperança e coragem.
Edemir Fernandes Bagon
Edemir Fernandes Bagon
The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...