Amanhecer no Horizonte é um blog de poesias, microcontos, artigos e reflexões escrito por Edemir Fernandes Bagon, onde o cotidiano, a memória e os afetos ganham voz em textos intensos e humanos.
quinta-feira, 19 de junho de 2014
Oratório
são as paredes que gritam o que sinto
partes reduzidas e encarnadas no tempo
quarenta dias num deserto de silêncio
escorpiões do outro lado da porta da casa
gritos que percorrem os cantos de minh' alma
dentro de mim um planeta de palavras incompreendidas
no lado externo de tudo o que sinto disformes juízos
como vingança em forma de festa
comemoração em sentido contrário
braços e gargantas sangrentos
uma verdade assimétrica
um tempo de cinismo e solidão
uma espera angustiante para partir
breve permanência da ignorância
edemir fernandes bagon
partes reduzidas e encarnadas no tempo
quarenta dias num deserto de silêncio
escorpiões do outro lado da porta da casa
gritos que percorrem os cantos de minh' alma
dentro de mim um planeta de palavras incompreendidas
no lado externo de tudo o que sinto disformes juízos
como vingança em forma de festa
comemoração em sentido contrário
braços e gargantas sangrentos
uma verdade assimétrica
um tempo de cinismo e solidão
uma espera angustiante para partir
breve permanência da ignorância
edemir fernandes bagon
sábado, 14 de junho de 2014
Sobre Dilma Rousseff, a Abertura da Copa e a Educação
Sinceramente, xingar uma mulher
ao lado de sua filha num estádio de futebol é de uma estupidez imensurável. Infelizmente,
a presidente Dilma Rousseff sentiu um pouco daquilo que incontáveis professoras
da rede pública estadual (e, também, professores) sofrem em sala de aula. De
fato, existe a crise política e as pendências necessariamente devem ser
dirimidas. Creio eu, no entanto, que a crise maior está no campo da ética
moral.
Nesse sentido, ainda que as falhas grotescas das atividades políticas corroborem para a insatisfação de boa parte da sociedade, o respeito à dignidade humana deve ser o princípio das ações dos sujeitos sociais. Se assim não o for, povo e classe política terminam por formar um grupo singularizado não pela virtude, mas sim, pela violência e pelo descaso. Alguém dirá ser legitima a liberdade de expressão do povo. Concordo, claro. Mas não é legítimo o aviltamento do ser humano.
Outros dirão ser a exploração do homem exatamente aquilo que a classe política faz com o povo. Nesse caso, porém, se pensarmos na democracia enquanto poder político, poderíamos fazer a seguinte pergunta: quem é o eleitor do representante político? Esta seria a questão fundamental a meu ver, mas a maioria do povo brasileiro acaba se esquecendo de que é ela que define seu futuro nas urnas eleitorais!
Pois bem, a transformação das
mentalidades e dos comportamentos humanos quase sempre é atribuída à educação escolar
sistematizada. Todavia a escola, hoje, apresenta tantas semelhanças com um
estádio de futebol, tantas... que não
tenho medo de dizer que uma parte dos educadores e das educadoras preferiria
ficar em suas casas para ter respeito e dignidade. Obviamente, não é um desejo
deliberado, e sim, um distúrbio sintomático de uma vida profissional pouco
valorizada.
Depois dessa péssima experiência
vivida na abertura da Copa, a presidente Dilma e toda a classe política
deveriam repensar o modelo educacional brasileiro. Reitero, todavia, meu
repúdio ao modo como foi tratada. Reitero que educadoras e educadores são
muitas vezes ofendidos assim em sala de aula. Reitero que povo e classe política
terminam sendo um corpo singular e uno, mas sem consciência reflexiva num
contexto como esse.
Portanto, é preciso dizer que a “política do pão e do circo” deve ser revista e, sobretudo, repudiada. Além disso, o comportamento dos sujeitos sociais não deve, numa democracia (ainda que no papel), corresponder a uma ação teatralizada, desmedida e jocosa – sem objetivo nenhum, senão o de ferir a dignidade humana. Na maioria das vezes, os fins não justificam os meios. Educar é preciso.
Portanto, é preciso dizer que a “política do pão e do circo” deve ser revista e, sobretudo, repudiada. Além disso, o comportamento dos sujeitos sociais não deve, numa democracia (ainda que no papel), corresponder a uma ação teatralizada, desmedida e jocosa – sem objetivo nenhum, senão o de ferir a dignidade humana. Na maioria das vezes, os fins não justificam os meios. Educar é preciso.
Edemir
Fernandes Bagon
quinta-feira, 12 de junho de 2014
sábado, 7 de junho de 2014
sábado, 24 de maio de 2014
sexta-feira, 23 de maio de 2014
domingo, 11 de maio de 2014
Mistério
Mãe, não sei como seguir em frente.
A vida parece mais difícil agora.
Quando mais precisei, alguns poucos estenderam-me a mão.
Estou assim sem rumo - feito mar encontrando uma rocha imensa que não se move.
O que desmentir?
O que perdoar?
O que procurar?
À noite, perco-me nas lembranças. Sem o céu, o que fazer com a lua e as estrelas?
No entanto, não estou disposto a regressar.
Não quero mais sentir-me menor.
Tenho vergonha do que fizeram comigo.
Tenho medo da minha imagem no espelho.
Difícil desvendar o mistério de viver.
Creio estar fora do alcance do espírito (que não dorme).
A desumana arte da hipocrisia sempre como uma espécie de luz que desaparece no encantamento do silêncio.
Esse mesmo silêncio sobre as pedras das ruas junto às igrejas e dos homens vazios nos seus cantos.
Fantoches.
Não há espaço para o tempo.
Mãe, um dia ... se puder, venha abraçar-me para eu sentir a Verdade outra vez.
A vida parece mais difícil agora.
Quando mais precisei, alguns poucos estenderam-me a mão.
Estou assim sem rumo - feito mar encontrando uma rocha imensa que não se move.
O que desmentir?
O que perdoar?
O que procurar?
À noite, perco-me nas lembranças. Sem o céu, o que fazer com a lua e as estrelas?
No entanto, não estou disposto a regressar.
Não quero mais sentir-me menor.
Tenho vergonha do que fizeram comigo.
Tenho medo da minha imagem no espelho.
Difícil desvendar o mistério de viver.
Creio estar fora do alcance do espírito (que não dorme).
A desumana arte da hipocrisia sempre como uma espécie de luz que desaparece no encantamento do silêncio.
Esse mesmo silêncio sobre as pedras das ruas junto às igrejas e dos homens vazios nos seus cantos.
Fantoches.
Não há espaço para o tempo.
Mãe, um dia ... se puder, venha abraçar-me para eu sentir a Verdade outra vez.
Edemir Fernandes Bagon
sábado, 10 de maio de 2014
Dialogismo bakhtiniano em cena
[CENA 1]
(Tu): Te...
(Eu): Te...
_________
[CENA 2] (SILÊNCIO)
[CENA 2] (SILÊNCIO)
edemir fernandes bagon
sexta-feira, 9 de maio de 2014
Templos
quando os olhos esquecerem do tempo
e folhas caírem no chão
quando imagens deixarem as horas
e os instantes partirem nas águas
quando os lírios deixarem os campos
e pedras virarem encantos
quando ruas encantarem os anjos
e os céus escreverem seus sonhos
quando os santos cantarem em versos
e noites cobrirem os tetos
quando finitos se tornarem almas
e os escritos sentirem o mundo
quando a vida deixar a saudade
e as mãos tiverem compaixão
quando os rancores se perderem durante a espera
e os caminhos deixarem saída
quando desejos debelarem a moral
e dos homens os egos recobrarem a razão
quando as coisas se revelarem nos espelhos
e as correntezas construírem castelos na areia
quando saírem os barcos do cais
e retornarem os veleiros e os sonhos
seremos templos
e folhas caírem no chão
quando imagens deixarem as horas
e os instantes partirem nas águas
quando os lírios deixarem os campos
e pedras virarem encantos
quando ruas encantarem os anjos
e os céus escreverem seus sonhos
quando os santos cantarem em versos
e noites cobrirem os tetos
quando finitos se tornarem almas
e os escritos sentirem o mundo
quando a vida deixar a saudade
e as mãos tiverem compaixão
quando os rancores se perderem durante a espera
e os caminhos deixarem saída
quando desejos debelarem a moral
e dos homens os egos recobrarem a razão
quando as coisas se revelarem nos espelhos
e as correntezas construírem castelos na areia
quando saírem os barcos do cais
e retornarem os veleiros e os sonhos
seremos templos
edemir fernandes bagon
terça-feira, 6 de maio de 2014
quinta-feira, 1 de maio de 2014
Sobre o preconceito racial
Considerar o preconceito racial, a intolerância étnica e o racismo como práticas inaceitáveis, a meu ver, é tarefa natural dos homens justos. Não obstante, a sociedade humana apresenta alguns modelos de vida social em que o caráter grotesco de suas relações passa a ser aceito sem que a razão estabeleça critérios distintos e claros. Isso, a meu ver, é resultado das relações de poder instituídas ao longo da história da humanidade. Logo, em virtude da ausência dos critérios racionais, a sociedade humana produziu, infelizmente, a escravidão e o holocausto.
Nesse sentido, não enxergar o problema histórico do aviltamento humano constituiu-se em práticas comuns na vida em sociedade, pois, reconhecidamente, o homem não possui outro recurso senão o da crítica da própria razão para encontrar o princípio da igualdade. E, por conseguinte, dele fazer o fundamento de sua existência. Ficar a favor, ou não, de uma "campanha" é resultado de profunda reflexão acerca daquilo que é Justo. Para mim, quando a Razão demonstra a ausência de justiça, penso ser necessário o engajamento.
Claro que alguns dirão ser a mobilização um equívoco, afinal "um jogador de futebol recebe milhões por ano" e, portanto, numa sociedade dividida em classes, "estaria acima do bem e do mal". Outros dirão que se trata apenas de um comportamento inadequado de uma "torcida inflamada", porém, "cultural" (ver o caso Tinga). Ainda assim, o que está em jogo é a luta pela igualdade e pelo respeito à existência humana.
Talvez, dessa maneira, compartilhando discursos contrários em redes sociais, numa conversa entre amigos ou em sala de aula - o racismo, o preconceito, a intolerância possam ser banidos não apenas do futebol, mas também, das delegacias de polícia, das penitenciárias, das escolas, das empresas e, quem sabe um dia, da vida humana.
Edemir Fernandes Bagon
segunda-feira, 28 de abril de 2014
quarta-feira, 23 de abril de 2014
Deus
veio-me assim o mundo imperfeito e sem luz
toquei o céu com os olhos dissonantes
o mistério desfigurado sobre lagos
a alma não vê o que sente
edemir fernandes bagon
sábado, 19 de abril de 2014
quinta-feira, 17 de abril de 2014
Cena
descrever os sentidos da vida não basta
compreender é virtude
Cristo encontrado na cruz
distâncias de tudo
transparências
as cinzas que sobem
os montes
os pés e as mãos tocando a alma
longe desumano como se fosse incenso
barulho da chuva acima da terra lavando a madeira
Perto dos seus olhos
suas mãos me tocam.
edemir fernandes bagon
compreender é virtude
Cristo encontrado na cruz
distâncias de tudo
transparências
as cinzas que sobem
os montes
os pés e as mãos tocando a alma
longe desumano como se fosse incenso
barulho da chuva acima da terra lavando a madeira
Perto dos seus olhos
suas mãos me tocam.
edemir fernandes bagon
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