Amanhecer no Horizonte é um blog de poesias, microcontos, artigos e reflexões escrito por Edemir Fernandes Bagon, onde o cotidiano, a memória e os afetos ganham voz em textos intensos e humanos.
quarta-feira, 30 de outubro de 2019
quarta-feira, 23 de outubro de 2019
Eighty-four
os nomes escritos num papel de caderno
o doce encontro nos cantos da escola
[o riso deixado para além das horas]
o mar inventado num quadro azul e branco
o barco deixado no lado de onde vejo o tempo
[presente perfeito conjugado em seu nome]
Edemir Fernandes Bagon
quinta-feira, 19 de setembro de 2019
Pedro
Parecia perdido diante do portão de ferro da escola. Aquilo tudo era para ele um mundo feito de concreto. Ali, naquela hora, zelava pelo acolhimento de seus dois irmãos. A mãe ficava no guichê, esperando atendimento. Os papéis de matrícula e a falta de sensibilidade dos atendentes.
O orgulho e a inquietude da infância faziam dele um ser muito mais do que especial. Era ele os braços e os olhos do irmão menor (cadeirante), bem como a consciência do irmão do meio. De repente, seu nome foi chamado pela mãe. Teria que dar conta de encontrar o irmão mais novo. E, por entre os carros no estacionamento do prédio escolar, deslizou seus olhos na direção do outro (perdido, talvez?).
Sem querer, no entanto, encontrou uma mulher de olhos verdes sentada perto de uma coluna. Sentiu seu toque suave nos braços e um abraço foi trocado no tempo. Timidamente dissera seu nome ("Pedro").
O corpo franzino e as roupas sujas.
Outro abraço na forma interrogativa .
A mulher de olhos verdes perguntou:
O orgulho e a inquietude da infância faziam dele um ser muito mais do que especial. Era ele os braços e os olhos do irmão menor (cadeirante), bem como a consciência do irmão do meio. De repente, seu nome foi chamado pela mãe. Teria que dar conta de encontrar o irmão mais novo. E, por entre os carros no estacionamento do prédio escolar, deslizou seus olhos na direção do outro (perdido, talvez?).
Sem querer, no entanto, encontrou uma mulher de olhos verdes sentada perto de uma coluna. Sentiu seu toque suave nos braços e um abraço foi trocado no tempo. Timidamente dissera seu nome ("Pedro").
O corpo franzino e as roupas sujas.
Outro abraço na forma interrogativa .
A mulher de olhos verdes perguntou:
- Achou seu irmão? Sua mãe quer saber onde ele está.
Pedro correu para um canto. Logo depois, voltou com um sorriso (quase perfeito), empurrando uma cadeira de rodas de cor azul.
O irmão mais novo estava perto.
Estava salvo.
O irmão mais novo estava perto.
Estava salvo.
- Como se chama seu irmão?
- Lucas.
- Por que ele está na cadeira?
sábado, 24 de agosto de 2019
Laços*
se tiver todos os outros bens, a nobreza ou gentileza para si."
(Aristóteles)
algo assim feito céu
feito mar de Deus
tanto desse jeito
que se perde
tanto desse modo
que se encontra
tanto mar íntimo
tanto marítimo
tanta alma
tanto tempo que num abraço cabe
Edemir Fernandes Bagon
(*) Para Ana, Márcia e Marina.
quarta-feira, 21 de agosto de 2019
Resiliência LIII
Em pouco tempo Elisa descobriu quem era. Restava ainda buscar do outro lado do mundo a parte misteriosa de sua vida. Quase no final, sentou-se na calçada da Avenida Plutão e arriscou sentir um pouco de tudo que não via com bons olhos.
Enxergou de longe as sombras do passado que ela cuidava. Viu de perto seus próprios inimigos reais e inventados. Distanciou-se dos cínicos, mas continuou ali para esperar com resignação a vinda de seu maior amor.
Vieram a chuva e o frio. Vieram as flores e o sol. Cresceram os frutos e as sementes que foram deixadas no chão. Os pássaros azuis chegaram e se alimentaram dos frutos e dos sonhos de Elisa. Assim, ela seguiu em direção ao oriente e acabou se deitando bem perto do céu.
Edemir Fernandes Bagon
terça-feira, 13 de agosto de 2019
quarta-feira, 24 de julho de 2019
sexta-feira, 12 de julho de 2019
Lunar
Há um tipo de querer que pode ser completamente desmedido.
A razão não dá conta de tudo.
Nem sempre as coisas desse mundo são como se apresentam diante dos olhos.
P.S. : vejo a lua para me lembrar de você .
Edemir Fernandes Bagon
terça-feira, 2 de julho de 2019
Mar
Se as mãos tocarem o céu através do vidro
Se atrás do mundo estiverem seus cabelos
Se o silêncio não quiser mais ser olvido
Se o mar inadvertido for tomado de um desejo
Se os olhos descobrirem todos os meus defeitos
Se a luz se cansar de mostrar os sonhos encobertos
Se a tarde chegar e tiver que andar por sobre o mar
Se eu deixar de ser quem fui para ser seu
Se estiver concebido no mistério
Se tocar em mim, revivo
Se partir agora, serei lembrança
Se chegar mais tarde, espero
Edemir Fernandes Bagon
quinta-feira, 20 de junho de 2019
terça-feira, 18 de junho de 2019
June 15th, 2019.
i think that i will search for your green eyes tomorrow
but i don't know what's happening with my mind
i don't know what's wrong with me
the sea holds my hairs with all force of the world
the wind draws my soul
the last song
the last night
i come back from unknow place
and from somewhere i hear your name
the skyscrapers
the rivers
the bridges
the black jacket
the lights
the black dress
my hands write in your body
my love.
edemir fernandes bagon
sábado, 1 de junho de 2019
terça-feira, 21 de maio de 2019
Cais
amor é perder-se no verde intenso e diminuto de seus olhos
sentir o teu corpo
ouvir tua voz [mar de alento]
amor é domínio completo
num silêncio perdido deixado no ouvido em forma de beijo
um poente sobre lençóis de lembranças
amor é um dividido por inteiro
quase profano
(e) quase sagrado
tocado em suas mãos, (*)
Edemir Fernandes Bagon
sábado, 23 de março de 2019
Lançamento
Pedras Raras no Deserto
Edemir Fernandes Bagon
Editora Primata, SP
(2019)
Pedras Raras no Deserto está disponível no site da Editora Primata: http://www.editoraprimata.com/index.php/produto/pedras-raras-no-deserto-de-edemir-fernandes-bagon/
sexta-feira, 15 de março de 2019
Commedia dell'arte
Gritava pelo mundo que não era ainda quem pensava ser. Era tudo uma história inventada por sua própria alma. Não havia motivo para deixar de lado aquela farsa, pois, dizia ele, "sinto-me feliz dessa maneira". Talvez fosse a vida muito melhor assim.
Edemir Fernandes Bagon
![]() |
| Tartaglia (commedia dell'arte) |
terça-feira, 12 de março de 2019
domingo, 17 de fevereiro de 2019
segunda-feira, 28 de janeiro de 2019
Assinar:
Comentários (Atom)
Island
The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...
-
Edemir Fernandes Bagon [1] Resumo : O objetivo deste artigo é discutir o processo de construção do conto “A solução”, de Clari...
-
O tempo nomeia o medo das coisas. Não há distanciamentos destinados por encantos humanizados. Tudo é temporariamente um nome. E...















