Amanhecer no Horizonte é um blog de poesias, microcontos, artigos e reflexões escrito por Edemir Fernandes Bagon, onde o cotidiano, a memória e os afetos ganham voz em textos intensos e humanos.
quinta-feira, 1 de abril de 2021
Rebanhos
o templo dos homens silencia
o tempo das rezas
o campo das guerras
as crianças que choram
os velhos que ainda cantam
as mulheres que sentem a despedida dos filhos
os pés descalços de um deus
os apátridas dos sonhos
os néscios da vingança
as traições vendidas
as moedas partidas
por entre os sicários do medo
desce o rio até o mar mais distante
cortam os fios de luz o vazio de dentro
e com as flores do clero antigo o trigo se espalha em terras secas
por onde vai o que se perde por ter sido amante da estupidez?
o que se encontra por fora do desejo falso da imagem de um mito desumano:
o canto de liturgia e o cálice elevados para o ego dos pastores políticos
[o corpo cingido com uma tolha limpa, mas com as mãos e os pés sujos]
ou
o fim em si mesmo, o próprio homem dissecado em sua própria memória e seu desejo de poder?
os templos silenciam.
(REMBRANDT. O BOI ESFOLADO – MUSEU DO
LOUVRE, PARIS, 1655. ÓLEO SOBRE MADEIRA, 94CM
X 69CM) |
sexta-feira, 12 de março de 2021
Aula
Tudo estava ali como sempre. A lousa, o giz, a lição do dia. Sinônimos e antônimos desafiavam os fatos relembrados pela História. Os Números reivindicavam suas formas arcaicas no meio daquelas inequações. E, diante do que se conhecia sobre as antigas canções de amigo e de amor, os olhos de Sinédrio desenhavam na carteira seu destino incompleto. Quando a aula acabou, caminhou em direção à professora e quis falar-lhe.
"O que deseja saber, Sinédrio?"
"Deus prefere os ateus?"
Edemir Fernandes Bagon
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021
Vesperum
por um não-sei-o-quê deixado
na memória
................................................
a vida entardece diante dos olhos
Edemir Fernandes Bagon
domingo, 7 de fevereiro de 2021
Órion
O tempo delicadamente abraçava o tecido feito de espera
sexta-feira, 8 de janeiro de 2021
domingo, 3 de janeiro de 2021
Ano Novo
Terminado aquele ano, guardou na gaveta o antigo calendário. Em seguida, pôs-se a cuidar da casa. Limpara tudo e a alma. Depois, sentou-se no sofá colocado num canto perto dos livros (que seriam lidos ainda). Pensou na vida, no mundo, nas coisas perdidas com o tempo... e encheu-se de esperança e coragem.
Edemir Fernandes Bagon
segunda-feira, 28 de dezembro de 2020
Faux bleu
Edemir Fernandes Bagon
sexta-feira, 18 de dezembro de 2020
Estrela binária
Perto do silêncio do céu, olhou para o mais distante do seu mundo.
Edemir Fernandes Bagon
quarta-feira, 18 de novembro de 2020
Dísticos
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| The Kiss by Gustav klimt |
Dois anjos surgiram diante de Deus, trazendo nas mãos duas grandes tábuas. Em cada uma delas, ambos escreveram dois versos inteiros (talhados na madeira e ornados com pedras preciosas).
Enquanto o primeiro deles declamava suas palavras, o outro ficou em silêncio para sentir e contemplar a Graça.
Depois de ouvir aquele, o Criador ordenou que o segundo viesse diante dele e falasse. A voz desse anjo ressoou por todo o universo.
Findadas as leituras dos dísticos celestiais, o primeiro esperou receber elogios do Senhor. Este, porém, calou-se.
O segundo permanecera em oração sem esperar por nada. E, então, Deus criou o amor.
Edemir Fernandes Bagon
sábado, 10 de outubro de 2020
Alameda
Edemir Fernandes Bagon
segunda-feira, 7 de setembro de 2020
Óculos de Miguelim

terça-feira, 18 de agosto de 2020
terça-feira, 11 de agosto de 2020
Geisha
Das retinas quisera apenas ter o vermelho do sol nascente. O arquétipo escorpiano delineado no corpo em transe. A porta entreaberta. O desejo de permanecer ali para sempre, de retirar o laço e desvendar a alma a partir dos cabelos que deslizavam num lápis.
Um toque na luz da parede do céu. Um gemido dentro do silêncio abocanhado (como se fosse possível ver o que havia no lado de fora da carne doce e macia).
Tudo vertido: a boca noutra boca molhada; os seios de uma geisha tocados num templo de Buda; o dorso claro como um espelho d'água (onde Narciso não ouve, mas ecoa).
Os sinais de pele emaranhados. O caminho das flores. As cadeiras de vime. O lago dos peixes. Os saltos pretos abertos no eclipse da cama.
《Atravessa o destino, com a astúcia do tempo, o que procura alma.》
Edemir Fernandes Bagon
domingo, 26 de julho de 2020
quinta-feira, 9 de julho de 2020
quinta-feira, 2 de julho de 2020
sexta-feira, 26 de junho de 2020
Depois de amanhã
O que fazer com as nuvens molhadas no escuro? Como os anjos irão dormir agora?
Onde ficarão os sonhos sem o templo que é teu corpo?
Onde estarão os dias e as obras do Senhor?
《Os olhos permutam sensações com um coração translúcido》
Entre os lírios mágicos e o silêncio invasor dos campos
Existe um lago prateado de vida
Mas não o toco
Edemir Fernandes Bagon
domingo, 14 de junho de 2020
παράδεισος

Island
The sea writes waves while my eyes sleep beneath red clouds. Although his soul reads the whole island in my dreams, my tongue challenges eve...
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Edemir Fernandes Bagon [1] Resumo : O objetivo deste artigo é discutir o processo de construção do conto “A solução”, de Clari...
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O tempo nomeia o medo das coisas. Não há distanciamentos destinados por encantos humanizados. Tudo é temporariamente um nome. E...











